Relicário
Lembro de ouvir minha avó dizer à minha mãe: — A gente não cria os filhos para si. Cria para o mundo. Na época, eu não entendia o que aquilo significava. Mas me lembro do olhar cansado de minha mãe respondendo que vovó não entendia, que os tempos agora eram outros. Por muito tempo essa memória permaneceu quieta dentro de mim. Até que, em uma manhã aparentemente comum, aquelas palavras atravessaram meu pensamento logo nas primeiras horas do dia. E, antes mesmo de compreender por quê, a lembrança dos olhos cansados de minha mãe voltou inteira para mim. Ela dizia que minha avó não entendia. Hoje, sou eu quem não entende. Será que algum dia entenderemos de verdade o que significa amar alguém e, ainda assim, prepará-lo para partir? A frase me acompanha enquanto meu corpo muda e a vida segue acontecendo. É uma presença silenciosa, quase delicada, como o som da brisa agitando as folhas das árvores lá fora. Ainda assim, há algo nela que me assusta. Principalmente agora, quando acaricio minha b...
Isso que escreveste é tão eu...
ResponderExcluirFaço isso em qualquer transporte, clima, altura do dia ou tamanho da viagem. É o momento para reflectir sobre mim e o que estou a fazer.
Mas sabes mas isso é bom. Pensar sobre a vida e às vezes até ficar um pouco triste é muito E estar num transporte em que só nos resta pensar e ver paisagem vai obrigar-nos a fazer a introspecção. Por uns instantes paramos com a nossa vidinha e verificarmos se estamos no caminho certo, se somos quem queríamos ser, aprofundamos e analisar os nossos problemas. Isso é muito positivo porque crescemos, aprendemos e acabamos por mudar de atitudes.
E também é momento para criatividade :)
Beijinhos
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirApesar de mal andar de ônibus ou sair de casa sou meio que assim. Mas paro pra pensar na vida sentada na varanda, no jardim e na churrasqueira da minha avó, gosto do silêncio e prefiro refletir a noite. Outra coisa são musicas, livros e filmes, eles me fazem refletir muito, mas uma coisa é certa: eu penso em tudo, sei o que fazer, mas no fim não faço nada, prefiro deixar assim, sei lá, acho que se fosse pra ser diferente a iniciativa não tem que ser só minha. Quem quer vai atrás. Ótimo texto pra pensar!
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