Lançado em 2021 e dirigido por Sarah Smith e Jean-Philippe Vine, Ron Bugado foi uma coprodução da 20th Century Studios, pertencente à The Walt Disney Company, com o estúdio britânico Locksmith Animation. Talvez pelo período de seu lançamento, quando ainda vivíamos as incertezas da pandemia, o filme não tenha alcançado o faturamento esperado para uma produção da Disney e acabou sendo visto por muitos como um fracasso. O que, de certa forma, nos faz refletir: afinal, o que realmente define o que é ou não um sucesso? Algo semelhante aconteceu com o filme Elementos, que funciona como uma metáfora sobre imigração, preconceito e a experiência de ser filho de imigrantes, inspirada na vida do diretor Peter Sohn, mas essa já é conversa para outro post. Talvez por não ter tido um grande desempenho nas bilheterias, só conheci o filme no início de 2026. Ele surgiu “por acaso”, entre as recomendações, depois de eu reassistir a uma animação do Studio Ghibli. Eu estava sem grandes expectativas; seria apenas mais uma animação para passar o tempo após um dia cansativo. Só que, aos poucos, o filme foi surpreendendo, não pela tecnologia ou pelo humor, mas pela sensibilidade com que aborda algo profundamente humano: a necessidade de se conectar. A história acompanha Barney, um garoto solitário, e Ron, um robô que não funciona exatamente como deveria. Em plena era das redes sociais, os problemas de funcionamento de Ron dão início a uma jornada na qual menino e máquina precisam aprender a construir uma amizade, mesmo estando longe do que seria considerado o “amigo ideal”.
A narrativa vai muito além da ideia de amizade entre um garoto e um robô. Ron Bugado utiliza o erro, o “bug”, como metáfora para aquilo que nos torna únicos. Emoções confusas, inseguranças, falhas e afetos que não seguem lógica nem programação são justamente o que aproxima os personagens e, inevitavelmente, quem está assistindo.
O filme apresenta um ótimo equilíbrio entre humor e crítica social. O comportamento errático de Ron é o ponto de partida ideal para refletirmos sobre como a tecnologia molda a convivência em sociedade. Ao mesmo tempo, a animação emociona ao mostrar que a amizade verdadeira não depende de algoritmos ou conexões virtuais, mas da capacidade de compreender o que realmente importa e aceitar que são nossas diferenças que nos tornam únicos e especiais.
Vendido como uma animação leve, voltada ao entretenimento infantil, o filme rapidamente se revela algo maior: uma história sensível sobre amizade, pertencimento, imperfeição e a necessidade humana de conexão. Ao acompanhar a relação entre um garoto solitário e um robô “defeituoso”, somos convidados a refletir sobre emoções, escolhas e vínculos que nenhuma programação é capaz de replicar por completo.
Quando a tecnologia deixa de ser apenas um recurso narrativo e passa a funcionar como espelho das nossas emoções, algo interessante acontece: começamos a nos reconhecer naquilo que, teoricamente, não é humano. E Ron Bugado é um excelente ponto de partida para essa conversa, justamente por mostrar que nem sempre a perfeição, seja de uma máquina ou de uma pessoa, é o que cria vínculos reais.
📺Onde assistir: Disney+ | Netflix


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