Isso aqui é sobre dormir na praia. Sobre o vento que bagunça o cabelo e a
gente não tá nem aí. Sobre a lua e a areia e as luzes da noite. Sobre a pouca
roupa. Sobre fechar os olhos e puxar ar pra dentro como quem se sente inflar.
Sobre como essas coisas perderam espaço. Sobre como o sorriso ficou atrelado ao
gastar. E como eu sinto falta de ficar suada, de comer jaca, de andar descalço,
de viver sem medo de me desgastar ou de sentir dor ou de deixar de parecer bem.
Sobre não lembrar do protetor solar, do hidratante, do leave in, do renew.
Sobre dormir de cabelo molhado. Só porque eu quero. Sobre ter as unhas curtas, sobre
não fazer a raiz. Sobre o glúten, a gordura trans, a lactose, o sódio, a
glicose e a pressão alta. Sobre o salto alto, a cintura fina e o peito de
pomba. Sobre cachorros vira lata. Sobre cavalos. Sobre animais gostosos que
sentem o que a gente sente mais do que muita gente por aí. Sobre abraços sem
perguntas. Sobre beijo de manhã, sob a pele suada sem nojinho ou frescurinha.
Sobre se deixar tocar, sobre gozar devagar, sem lista de supermercado ou
rapidinha porque temos compromisso. Sobre como eu entrei nessa toca de coelho
que dá pro mundo que a gente chama de real e acabei me convencendo dessas
coisas todas que a gente chama de verdades. Se eu não sinto mais, ainda é de
verdade? Sobre como eu nem sorrio mais, a não ser que seja alguma publicação
cruel de humor negro por aí. Quero rir de felicidade, da sensação gostosa, do
bigodinho de leite. Quero amanhecer sem querer morrer agarrada à cama como se
não houvesse nada que valesse à pena no dia. Quero sentir que vale. Quero fazer
valer. Quero voltar pra casa. É sobre voltar pra casa. Sobre estar em casa. Se
sentir em casa.
Retrospectiva literária 2025
No início deste ano, me deparei com uma postagem no Instagram que começava com a frase: “ Agora não é hora de planejar o futuro: é hora de organizar o presente .” Ao longo do post, havia algumas sugestões, como: fazer uma avaliação de 2025, deixar para trás o que não faz mais sentido e abrir espaço para o novo. Essas ideias mais uma postagem que a Fernanda Rodrigues fez, me inspiraram a criar esta postagem: uma retrospectiva de 2025, como forma de dar boas-vindas ao novo ano — que, podemos dizer, “oficialmente” começa hoje… embora muita gente diga que só começa depois do Carnaval 😅 Um balanço das minhas leituras de 2025, com livros favoritos, decepções, estatísticas e metas para 2026 2025 foi um bom ano para as minhas leituras, mesmo eu não tendo conseguido cumprir algumas das metas estabelecidas no início dele. Ao todo, foram 44 livros lidos, intercalando diferentes formatos — livros físicos, e-books e audiobooks —, sendo eles: Uma história de amor no Ano-Novo Lu...

Lindo texto :)
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