Era só eu
preferindo vim para o meu quarto bagunçado, meu computador lento do que está
aí, ao seu lado. Era só eu evitado atender ao telefone para não desperdiçar
umas das suas desculpas baratas. Era só eu fingindo não ligar que quando vi
acabei não ligando mesmo. Estava me despedindo de pouquinho e pouquinho, foi um
longo período até o verdadeiro adeus, te oferecendo uma chance lá no fundo. Era
só eu não prendendo nada a nada, dando liberdade a tudo. Dava para perceber,
era só um pouco de atenção. Eu fui dizendo tchau com pena de tudo aquilo, com
pena dos anos passados, mas não tinha restado nada ali, e no final de tudo eu
percebi que nem lembranças. Você me dizia te amo como se fosse a sua mais nova gíria
e eu nunca gostei de gírias, então, mas do que nunca fiz a escolha certa, eu
sei que você sempre falou que a mistura de nos dois dava a cor perfeita, sua
cor preferida era preto e a minha não. Você sabia, dizíamos isso o tempo todo, marcávamos
no calendário, mais um dia que parecia da certo. Era de se assustar a super
ligada com o desastrado, à atenciosa com o esquecido, o amor com, com qualquer
coisa. É bem tarde agora para eu tentar desvendar o que era, e na verdade, não
importa, faz tempo que deixou de ter importância.
Relicário
Lembro de ouvir minha avó dizer à minha mãe: — A gente não cria os filhos para si. Cria para o mundo. Na época, eu não entendia o que aquilo significava. Mas me lembro do olhar cansado de minha mãe respondendo que vovó não entendia, que os tempos agora eram outros. Por muito tempo essa memória permaneceu quieta dentro de mim. Até que, em uma manhã aparentemente comum, aquelas palavras atravessaram meu pensamento logo nas primeiras horas do dia. E, antes mesmo de compreender por quê, a lembrança dos olhos cansados de minha mãe voltou inteira para mim. Ela dizia que minha avó não entendia. Hoje, sou eu quem não entende. Será que algum dia entenderemos de verdade o que significa amar alguém e, ainda assim, prepará-lo para partir? A frase me acompanha enquanto meu corpo muda e a vida segue acontecendo. É uma presença silenciosa, quase delicada, como o som da brisa agitando as folhas das árvores lá fora. Ainda assim, há algo nela que me assusta. Principalmente agora, quando acaricio minha b...

Acho seus textos incríveis. São sinceros, profundos, com uma realidade que dói.
ResponderExcluirSou seu fã já.
Bjão!
http://livronasmaos.blogspot.com.br/
ooouw que lindo, obrigada kk *--*
ResponderExcluirInfelizmente é horrível deixar de ser importante pra alguém a ponto da pessoa nunca mais te procurar. Beijo
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