Era só eu
preferindo vim para o meu quarto bagunçado, meu computador lento do que está
aí, ao seu lado. Era só eu evitado atender ao telefone para não desperdiçar
umas das suas desculpas baratas. Era só eu fingindo não ligar que quando vi
acabei não ligando mesmo. Estava me despedindo de pouquinho e pouquinho, foi um
longo período até o verdadeiro adeus, te oferecendo uma chance lá no fundo. Era
só eu não prendendo nada a nada, dando liberdade a tudo. Dava para perceber,
era só um pouco de atenção. Eu fui dizendo tchau com pena de tudo aquilo, com
pena dos anos passados, mas não tinha restado nada ali, e no final de tudo eu
percebi que nem lembranças. Você me dizia te amo como se fosse a sua mais nova gíria
e eu nunca gostei de gírias, então, mas do que nunca fiz a escolha certa, eu
sei que você sempre falou que a mistura de nos dois dava a cor perfeita, sua
cor preferida era preto e a minha não. Você sabia, dizíamos isso o tempo todo, marcávamos
no calendário, mais um dia que parecia da certo. Era de se assustar a super
ligada com o desastrado, à atenciosa com o esquecido, o amor com, com qualquer
coisa. É bem tarde agora para eu tentar desvendar o que era, e na verdade, não
importa, faz tempo que deixou de ter importância.
Meridiana
Sair da favela e ingressar na vida de classe média era o grande sonho de Aurora e Ernesto. Esse propósito era alimentado pelo amor e pelo desejo de criar filhos "prósperos, exemplares e respeitados pela melhor sociedade". Deu certo. Com sua prosa leve e, ao mesmo tempo, precisa, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa engenhosa sobre o processo de ascensão social de uma família negra. Cada personagem — a mãe, o pai, os filhos e a filha — conta a própria história em primeira pessoa. São testemunhos de uma travessia que nunca é igual para ninguém. Ao explorar a pluralidade de vozes, a autora alcança a complexidade que dá ao processo sua fisionomia particular. Em tempos de desigualdades agudas e divisões de toda sorte, é fundamental olhar a realidade sob diferentes ângulos, explorar nuances e identificar caminhos que nos permitam criar um terreno comum de diálogo. Meridiana faz jus ao nome, conecta polos no espaço e no tempo e nos ensina como passar adiante as conquistas que ...

Acho seus textos incríveis. São sinceros, profundos, com uma realidade que dói.
ResponderExcluirSou seu fã já.
Bjão!
http://livronasmaos.blogspot.com.br/
ooouw que lindo, obrigada kk *--*
ResponderExcluirInfelizmente é horrível deixar de ser importante pra alguém a ponto da pessoa nunca mais te procurar. Beijo
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