Pessoas Normais


Uma história única e envolvente sobre dois jovens que devem enfrentar a eletricidade do primeiro amor em meio às sutilezas das classes sociais e dos problemas familiares. Sally Rooney é a voz da geração millennial.
Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e quando o garoto vai buscar a mãe depois do expediente, uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes – contudo, um deles está determinado a esconder a relação. Um ano depois, ambos estão na universidade, em Dublin. Marianne encontrou seu lugar em um novo mundo enquanto Connell fica à margem, tímido e inseguro. Ao longo dos anos da graduação, os dois permanecem próximos, como linhas que se encontram e separam conforme as oportunidades da vida. Porém, enquanto Marianne se embrenha em um espiral de autodestruição e Connell começa a duvidar do sentido de suas escolhas, eles precisam entender até que ponto estão dispostos a ir para salvar um ao outro. Uma história de amor entre duas pessoas que tentam ficar separadas, mas descobrem que isso pode ser mais difícil do que tinham imaginado.
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Aviso de conteúdo: abuso sexual, abuso psicológico, bullying, depressão, violência doméstica, negligência familiar, ideação suicida e suicídio. 

Lançado em 2019 aqui no Brasil pela Editora Companhia das Letras, Pessoas Normais me passou despercebido, mas como o lançamento de sua adaptação em formato de minissérie pela Hulu, ele acabou me chamando a atenção. Depois de ver várias resenhas positivas e indicações agora em 2020 fiquei pensando será que ele é realmente tudo isso? E cá estou para compartilhar o que eu achei da história criada pela escritora irlandesa Sally Rooney. 

Pessoas Normais é aquele livro que divide opiniões, tem gente que vai amar e outros que não vão curtir tanto, porém, nem tudo é preto no branco, existe uma zona cinzenta. A maneira que a autora escolheu narrar a história inicialmente é um pouco confusa, ela optou por não usar aspas ou travessão para sinalizar os diálogos, mas uma vez que você já adapta, a leitura flui de maneira ágil.  

Marianne tinha a sensação de que sua vida real acontecia em outro lugar, bem distante dali, acontecia sem ela, e não sabia se um dia descobriria onde era e se seria parte dela. 
Começamos a leitura com a ideia de que Marianne é uma garota solitária, introvertida e com uma personalidade forte, enquanto Connell é amável, popular, uma pessoa fácil de se lidar. Quando os dois começam a se relacionar às escondidas percebemos que eles possuem muito em comum. Porém, apesar da sua ligação única com Marianne, Connell acredita que se as pessoas descobrissem sobre eles seria o seu fim. É justamente esse seu medo que o leva a cometer alguns erros, esses por sua vez acabam colocando um ponto final na relação entre os dois. 

Com apenas um pouco de subterfúgio pode viver duas existências totalmente distintas, jamais encarando a questão fundamental do que fazer dele mesmo ou de que tipo de pessoa ele é. 

O tempo passa e os dois seguem para a mesma faculdade, cada um vivendo a própria vida, até se encontrarem em uma festa. Neste ponto a história se inverte e Marianne passa a ser a pessoa popular e querida, já Connell se torna introspectivo. Diferente das escolhas do passado, Marianne não se envergonha da sua história com Connell, e o acolhe em seu círculo social apesar dos erros anteriores do rapaz.  
No passado, tentara ser diferente, como um experimento, mas nunca deu certo. Se era diferente com Connell, a diferença não estava acontecendo dentro dela, na sua personalidade, mas entre eles, na dinâmica.

A história não é contada de forma linear, ela tem alguns avanços temporais que preenchem lacunas que ficaram abertas anteriormente, interligando os acontecimentos. Conforme a narrativa se desenrola os protagonistas vão sendo desconstruídos e vamos percebemos que não dá para defini-los com apenas algumas palavras.  Se na fase escolar o foco está em Marianne quando chegamos a faculdade Connell rouba a cena. É uma história simples com personagens complexos que nos envolve de tal maneira a ponto de não querer parar de ler até chegar ao final. 

O jeito como me comporto com ela é minha personalidade normal, ele disse. Vai ver que sou uma pessoa esquisita.
Marianne ao longo da vida normalizou os abusos que sofreu dentro de casa, na escola... Sua relação com os homens é de submissão, ela não se sente digna de amor e se responsabiliza por tudo de ruim que lhe acontece, ainda que em 99,9% das vezes ela tem sido a vítima, algumas situações que ela vivencia me lembrou muito uma mistura de É assim que acaba com Tarde Demais, ambos da Colleen Hoover. É triste saber que isso é a realidade de muitas meninas e mulheres e o que mais me entristeceu durante a leitura foi que a autora não mostrou uma solução para isso. Como se quebra o ciclo do abuso? Como você pode salvar a si mesma? Aonde buscar ajuda?
Seria o mundo um lugar tão perverso a ponto de o amor ser indistinguível das formas mais baixas e mais abusivas de violência?
Já com Connel foi diferente, conforme ele vai sendo desconstruindo e suas vulnerabilidades ficam expostas a autora mostra como pedir ajuda, o que deve ser feito para não se tornar mais um número nas estatísticas. Percebemos que a mudança de comportamento do rapaz não foi algo que a faculdade causou, mas sim algo que sempre fez parte de quem ele era, mas que ele nunca precisou encarar.

Ele só queria ser normal, esconder as partes de si que achava vergonhosas e confusas. Foi Marianne quem teve que lhe mostrar que outras coisas eram possíveis. A vida ficou diferente depois; talvez nunca tenha entendido como estavam diferentes. 

É curioso ver como Marianne teve seus problemas deixados para segundo plano, e os de Connell ganharam destaque. Isso acontece na vida real, acontece nos livros, acontece na maioria dos lugares. A pergunta que fica é sobre quando é que vai mudar esse tipo de coisa? Quando as chances serão iguais? Sally Rooney abordou assuntos importantes não apenas para a geração millennial, porém foi de certa forma irresponsável na sua abordagem em alguns momentos. Suas escolhas na forma de trabalhar determinados temas, me incomodou a ponto de não amar o livro. É um bom livro pelas reflexões que ele desperta e por ser fácil de se identificar em certos momentos, nada extraordinário, mas poderia ter sido.
O que quer que exista entre ele e Marianne nunca gerou nada de bom. Só causou confusão e tristeza para todo mundo.

Durante a leitura o relacionamento dos protagonista me lembrou bastante o que ocorre no filme Amor ou Consequência (Jeux d'enfants), onde cada escolha, cada interação entre os dois os torna mais próximos, mas, aos poucos, vai despedaçando seus corações. Quanto mais longe eles vão, mais forte é o amor que sentem um pelo outro. Boa parte do relacionamento de Connell e Mariane é construído entre quatro paredes, as conversas mais profundas, as suas vulnerabilidades e desejos são compartilhados quando fazem amor. Logo o sexo é um elemento importante dentro da história, inclusive essa parte é muito bem trabalhada na série, mas isso já é assunto para um outro post.  

Marianne já não é mais vista com admiração ou desdém. As pessoas se esqueceram dela. Agora é uma pessoa normal. 
  
Pessoas Normais é um livro fácil de se identificar, que fala sobre coisas que são atuais e que acontecem em qualquer lugar do mundo, independente do seu gênero, tom de pele, religião, classe social ou opção sexual. Ele nos mostrar que ser normal é algo utópico, porque de perto ninguém é, e está tudo bem. Por fim, é um livro que vale a pena ser lido, mas que não é para todo mundo. 

Eu imagino que todo mundo seja um mistério, de certo modo, ela explica. Quer dizer, você nunca vai conhecer de verdade a outra pessoa, e coisa e tal.

Sally Rooney é considerada a voz da geração millennial, e não sei dizer se ela traz toda essa representatividade nesta história em especifico, mas o que aprendi com ela com este livro é que essa geração da qual faço parte, tem um terrível problema de comunicação.

Como disse no início o livro ganhou uma adaptação para TV, e é uma das melhores adaptações literárias que já vi, em breve falarei sobre isso por aqui. A série pode ser assistida aqui no Brasil diretamente pelo site/aplicativo da Starzplay ou pelo Amazon Prime Video Channels, serviço permite adicionar canais como Starzplay dentro da assinatura do Prime Video. 





4 Comentários

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  1. Que legal... Gostei bastante da sua resenha... Amo leitura com enredo assim..
    Beijos
    Cátila Santos

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  2. Olá!!! achei bem interessante, fiquei curiosa pra saber mais sobre o livro. beijos

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  3. Amei demais essa leitura e a tua resenha ficou incrível! Amei as citações que você escolheu <3 Tô louca pra ver a série, em breve vou pegar o período grátis do starzplay só pra assistir, hehehe

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  4. Concordo que nossa geração tem um enorme problema de comunicação!
    A resenha me prendeu muito, a história parece ser incrível apesar das ressalvas e é legal saber que tem uma adaptação (bem fiel, por sinal) :)

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