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A Febre Do Amanhecer

by - terça-feira, fevereiro 11, 2020


Julho de 1945. Miklos é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklos, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital. Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa. Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklos e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança. Baseado na história real dos pais do autor, A febre do amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.
📖Skoob 👍Avaliação Final:  ✩ 📑Leia os dois primeiros capítulos

A Febre Do Amanhecer é o livro de estreia do autor húngaro Péter Gárdos, onde ele reconstrói a história de amor de seus pais, sobreviventes do Holocausto, com base nas cartas trocadas durante seis meses por eles após o final da Segunda Guerra Mundial.

A mim não me importa nem um pouco o exterior da pessoa. Não me interessa o desenho da boca, a cor dos olhos, o rosto bonitinho. A mim, apenas a alma me dá gosto, se é que você me entende. 

Em julho de 1945, o jovem Miklós (pai de Péter Gárdos), chega à Suécia vindo do campo de concentração Bergen-Belsen, com 29 quilos e doente. Alguns dias depois de sua chegada ele começa a ganhar peso e apesar de uma leve melhora seu médico lhe dá apenas seis meses de vida. Miklós  ansiava por construir uma família e aos 25 anos após sobreviver aos horrores da guerra se considerava novo de mais para morrer. Indo contra todas as possibilidades o jovem enviou uma cada uma carta a cada uma das 117 jovens húngaras refugiadas também em recuperação  na Suécia. Seu objetivo era simples: encontrar uma boa moça húngara para ser sua esposa.  


Entre as cento e dezessete cartas, uma era endereçada a Lili Reich (mãe de Péter Gárdos). Inicialmente Lili achou que se tratava de um engano e acabou se esquecendo do assunto. Porém, em meio a dias monótonos, acamada devido a uma crise renal, Lili com o incentivo de sua amiga Judit Gold resolve responder ao jovem simpático que lhe enviara a carta até então esquecida. E assim se deu inicio a uma um troca que durou seis meses, mas que ficaram guardadas em segredo por 50 anos.


Eu me sinto cansando. Vinte e cinco anos e tanta, tanta coisa ruim. Eu não tenho como me lembrar de uma bela vida familiar harmoniosa: não faz parte da minha história. Talvez seja por isso que eu procure por uma tão desesperadamente...

Péter Gárdos não tinha ideia sobre o passado dos pais, mas com o falecimento do pai em 1998, a mãe  ofereceu-lhe  dois maços de cartas, um amarrado com uma fita azul; e outro, com uma fita escarlate. Passados 10 anos ele escrever a primeira versão deste romance, e que posteriormente ele também transformou em um filme. 



Apesar de ter como plano de fundo o período conturbado de transição pós-Guerra A Febre Do Amanhecer  possui traz uma narrativa um pouco confusa, mas leve e fluída. Este fato surpreende pela forma de que autor conseguiu contar a história uma história de amor sem trazer um romantismo meloso e utópico, assim como abordou a importância dos amigos e da família em meio a todo esse período turbulento. Apesar de ter acertado no tom, Péter não se aprofundou no contexto em que a história de seus pais se desenrola, também não conhecemos os personagens tão bem a ponto de nos conectarmos com eles, o que é uma pena. Ao ver ver este poderia ser um livro memorável, mas que por não ser tão bem explorada se tornou um boa surpresa por não se ter grandes expectativas.  


E se tiveres um filho, irmãozinho, ensina-o

Que a justiça não se faz com espingarda e revólver,
Que o conserto do sofrimento do mundo
Não depende do alcance do míssil.
E na loja de brinquedos, irmãzinho, não compres

Soldados ao teu filho, mas, na prateleira branca,
Escolha cubos de madeira, para desde pequeno 
Em vez de matar, que aprenda a construir um novo mundo.

Quando questionado sobre sua profissão pelo médico Lindholm no início do livro, Miklós diz ter sido jornalidade e poeta. Ao longo da leitura acompanhamos entre outras coisas o desejo do jovem em escrever um livro, mas que posteriormente descobrimos por Péter não ter sido realizado.  Talvez pelo fato de seu pai nunca ter publicado o tão sonhado livro, o autor ao publicar esse romance faça um dupla homenagem uma pela história dos pais e o que o amor deles significou em tempos tão sombrios, e outra pelo amor do pai pelos livros e pela escrita.  
A Febre Do Amanhecer é a prova que o amor tem o poder de transformar vidas e ultrapassar barreira até então consideradas intransponíveis. De uma forma resumida é um dose de esperança para quando tudo parece estar perdido.  Abaixo vocês podem conferir o trailer da adaptação para o cinema. 


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9 comentários

  1. Só o fato de o autor ser húngaro já me deixou bem curiosa! Nunca li nada com essa origem. Achei a proposta do livro interessante, e as quotes me chamaram bastante a atenção! <3

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  2. Parabéns pelo post! Achei a proposta do livro interessante e curiosa, parece bem diferente de tudo o que eu já li! Anotei a dica de leitura!

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  3. Uma dica de leitura incrível,fiquei bem curiosa.

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  4. Pelo fato do autor não ter se aprofundada sobre os acontecimentos da época, imagino que seja uma história leve mesmo. Mas confesso que mesmo assim fiquei bem curiosa para ler por ser baseado em fatos reais e acho isso muito legal :) Não conheço o autor e não me lembro de ter lido alguma coisa húngara, já entrou na minha lista de leitura :)

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  5. Ai que tudo!! Só de ler que a história é baseada na vida dos pais do autor, meus olhos brilharam! Amei conhecer esse título, que até então não conhecia. Certamente vai entrar para a minha wishlist.

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  6. Que lindo!! Caramba, amei. Uma pena o livro ter esses defeitinhos, porque com certeza seria incrível demais se o autor tivesse dado uma explorada mais. Sou fascinada por livros desse tema, fiquei hipnotizada pela resenha. Bom, quem sabe eu dê uma olhada <3
    Jardim de Palavras

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  7. Caramba, que livro pesado, melancólico e, sei lá, bonito! Quando você falou que era baseado na história real dos pais do autor, nossa, meu coração até acelerou. Deve ter sido horrível sair do terror que foi a Segunda Guerra vivo e ainda ter que encarar uma certeza de morte tão perto, por motivo tão diferente. Que bom que os dois se encontraram... Tenho saudades de ler livros de cartas, mas nunca tinha visto um tão intenso.

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  8. Não conhecia esse livro, mas já fiquei com muita vontade de ler ele, parece ser uma leitura emocionante e o que mais me chama a atenção é o autor ser húngaro. Acho que nunca li nada de um autor húngaro.
    Obrigada pela dica ♥

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  9. Parece ser bem interessante. Adoro livro baseados em fatos reais.
    Adorei o post!

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