Meridiana

 

Sair da favela e ingressar na vida de classe média era o grande sonho de Aurora e Ernesto. Esse propósito era alimentado pelo amor e pelo desejo de criar filhos "prósperos, exemplares e respeitados pela melhor sociedade". Deu certo.

Com sua prosa leve e, ao mesmo tempo, precisa, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa engenhosa sobre o processo de ascensão social de uma família negra. Cada personagem — a mãe, o pai, os filhos e a filha — conta a própria história em primeira pessoa. São testemunhos de uma travessia que nunca é igual para ninguém. Ao explorar a pluralidade de vozes, a autora alcança a complexidade que dá ao processo sua fisionomia particular.

Em tempos de desigualdades agudas e divisões de toda sorte, é fundamental olhar a realidade sob diferentes ângulos, explorar nuances e identificar caminhos que nos permitam criar um terreno comum de diálogo. Meridiana faz jus ao nome, conecta polos no espaço e no tempo e nos ensina como passar adiante as conquistas que acumulamos, garantindo que as gerações futuras não se percam e sigam ancoradas no chão da vida.

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Aviso de conteúdo: Este livro aborda temas como  racismo, homofobia e tentativa de suicídio. 

Pai, é mais fácil ir ou voltar? Depende. É fácil voltar quando você precisa muito do que ficou para trás. 

Neste livro, Eliana Alves Cruz nos convida a acompanhar a trajetória de uma família negra que ascendeu socialmente, deixando a periferia para vivenciar a realidade dos condomínios fechados e das escolas particulares.  Ao intercalar vozes distintas, a narrativa nos conduz ao íntimo de uma família que transformou sua realidade por meio do estudo e do trabalho, nos convidando a refletir sobre o custo  dessa mudança para cada um de seus integrantes.

Com o tempo, aprendi a economizar paciência com os de fora e a gastar calma com os de dentro. Decidi que não morreria de infarto por causa de pessoas que nada significava para mim. 

Com uma escrita sensível e potente, Meridiana expõe as múltiplas camadas da sociedade brasileira e as marcas históricas que moldam nossas relações, privilégios e desigualdades. É uma leitura necessária, que gera incômodo e empatia ao nos transportar para contextos que muitas vezes preferimos ignorar. Ao retratar essas vivências de forma tão humana e complexa, a autora entrega uma obra que amplia o olhar e aprofunda o entendimento sobre a formação do Brasil.

Eu e minhas tranças sabíamos que existia uma relação direta entre cabelo crespo e a falta de oportunidades no mercado, fosse o de trabalho ou o afetivo. 

Por fim, Meridiana é o tipo de livro que todos deveriam ler, independentemente de suas preferências literárias. Eliana Alves Cruz, assim como fez em Solitária, tece uma trama envolvente e verossímil sobre uma parcela da sociedade frequentemente marginalizada. É um relato que, embora mostre a falta de perspectivas que muitas vezes assola parte dessa população, mantém uma dose de esperança em dias melhores, lembrando-nos da urgência de ouvir as histórias que atravessam o Brasil real e da luta por um país com mais equidade.


Bonita, qualquer lugar que você quiser pisar, vai lá e pisa. E, se não quiser ficar, é só meter o pé e sair, entendeu? 


Agora me conta você já leu algum livro da Eliana? Se sim, o que achou? Caso não tenha lido, qual livro você recomendaria com uma temática parecida com a de Meridiana? 


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