Vermelho, Branco e Sangue Azul

by - segunda-feira, janeiro 27, 2020


O que pode acontecer quando o filho da presidenta dos Estados Unidos se apaixona pelo príncipe da Inglaterra? Quando sua mãe foi eleita presidenta dos Estados Unidos, Alex Claremont-Diaz se tornou o novo queridinho da mídia norte-americana. Bonito, carismático e com personalidade forte, Alex tem tudo para seguir os passos de seus pais e conquistar uma carreira na política, como tanto deseja. Mas quando sua família é convidada para o casamento real do príncipe britânico Philip, Alex tem que encarar o seu primeiro desafio diplomático: lidar com Henry, irmão mais novo de Philip, o príncipe mais adorado do mundo, com quem ele é constantemente comparado ― e que ele não suporta.
O encontro entre os dois sai pior do que o esperado, e no dia seguinte todos os jornais do mundo estampam fotos de Alex e Henry caídos em cima do bolo real, insinuando uma briga séria entre os dois. Para evitar um desastre diplomático, eles passam um fim de semana fingindo ser melhores amigos e não demora para que essa relação evolua para algo que nenhum dos dois poderia imaginar ― e que não tem nenhuma chance de dar certo. Ou tem?
📖Skoob 👍Avaliação Final:  

Se você já assistiu à série de TV Scandal sabe que os bastidores do poder não é algo tão glamouroso quanto a mídia quer que você acredite, assim como a vida na realeza não é tão glamourosa. Se você parar e pensar um pouquinho nem nos filmes da Disney ter uma coroa é assim tão divertido. Como disse uma vez o finado tio Ben: “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades” 

Alex é um jovem que representa tudo aquilo que um EUA conservador detesta. Filho de um de casamento inter-racial que “fracassou” e com um temperamento e sexualidade um tanto quanto questionáveis. Mas tudo isso talvez passasse despercebido se sua mãe não fosse a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente dos EUA. Já Henry é totalmente o oposto, ele é o modelo perfeito para representar tudo o que um país conservador deseja, um verdadeiro príncipe encantado. Sua vida parece ter saído de um filme, tamanha a perfeição que o certa, disfarçando assim o peso que ele carrega consigo por ser um dos herdeiros do trono britânico. 

Você é basicamente um lembrete vivo de que sempre vou ser comparado com outra pessoa, não importa o que eu faça, mesmo se eu me esforçar duas vezes mais.


São tantas as diferenças que cercam Alex e Henry que é inevitável que surja entre eles uma rivalidade palpável, graças as inúmeras comparações que a mídia insiste em sempre trazer à tona em suas matérias sensacionistas. Fato esse, que torna praticamente impossível pensar que esses dois poderiam vir a ter alguma coisa em comum. 

Porém, quando Alex acaba se envolvendo em uma confusão com Henry, durante um casamento da família real britânica. Ele se vê sem grandes opções para reparar o estrago diplomático que ele criou. A única opção encontrada por ambos os lados é que eles devem passar um fim de semana fingindo ser melhores amigos. O que aparentemente parecia o pior castigo de todos acaba se transformando em uma oportunidade dos dois jovens descobrirem que são muito mais que apenas rostinhos bonitos que vire e mexe estampam capas de revista e afins. 

Como  sua mãe, até entendo que pode não ser culpa sua, mas, como presidenta, tudo que quero é mandar a CIA fingir sua morte e usar a compaixão do povo para me reeleger.


Vermelho, Branco e Sangue Azul poderia ser mais um livro para se passar o tempo e só, porém Casey McQuiston consegue transformar elementos clichês e caricatos em algo que desperta curiosidade e prende  nossa atenção.  Alex dá voz a uma minoria que já não mais tão pequena assim, e que anseia por ser ouvida. Já Henry representa tudo aquilo que precisa ser mudado, mas que está preso dentro de um sistema tão arcaico que às vezes parece impossível trazer algum tipo de modernização. Ambos são personagens complexos e bem construídos, trazendo cada um consigo uma bagagem que os tornam seres únicos e com algo a acrescentar na vida um do outro. 

Ele pensava que era tão inteligente sobre sua própria identidade que não restava nenhuma dúvida sobre quem era.

Conforme a relação de Alex e Henry evolui de inimizado, para amizade e mais pra frente em algo que poderíamos chamar de amor Casey nos mostra que todos carregam consigo inseguranças e sonhos, e que tudo bem não possuir todas as respostas, assim como não saber exatamente para onde se está indo ou quem você é. A vida é exatamente a jornada para tentar encontrar tais respostas e o impacto que causamos enquanto a percorremos. Às vezes nossas crenças são postas à prova e não há nada de errado em se dar conta que elas mudam. Que o amor é simples e não deveria existir uma barreira limitando quem se deve amar! 

Passei toda a minha vida idiota tentando ser feliz. Meu direito de nascença é um país, não a felicidade.

A autora conseguiu mesclar bem o desenvolvimento do romance com o plano de fundo político, que a meu ver este último fez toda a diferença no desenrolar da história. Além dos personagens principais serem carismáticos Casey conseguiu criar personagens secundários tão queridos quanto, nos fazendo querer fazer parte desse círculo de amizade, e arrisco dizer até desejando ter um livro com foco na história deles. Porém, nem tudo são flores e durante a leitura a única coisa que consegui pensar que se configuraria como um defeito é o fato dos capítulos serem um pouco longos. Este detalhe faz com que mesmo a história sendo divertida e envolvente tenha alguns momentos que ela parece não fluir tão bem, o que acaba tornando a leitura um pouco cansativa. Mas fora isso o livro poderia ser considerado 0 defeitos. 


Por fim, Vermelho, Branco e Sangue Azul é aquela leitura que aquece nosso coração e ao final nos deixa com uma dose de esperança e sensação de que assim como Alex e Henry nos também poderíamos fazer história!

Posso te amar e te querer e ainda assim não querer essa vida. 

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2 comentários

  1. Que livro lindo!! Que resenha maravilhosa!! Esse livro é chocante haha nem consigo imaginar como eles terão que lidar com o que sentem com a vida que eles levam. Complicado. Acredito que vou amar essa leitura ^-^
    Jardim de Palavras

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  2. Que leitura interessante! Parabéns pela resenha, fiquei bem interessada em ler esse livro!

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