Inocência Perdida - Capitulo 2

sábado, setembro 11, 2010

 Capitulo II


    Com o coração disparado ,olhei para o meu possível agressor e me deparei com Stan.Meu ex-quase namorado.Penso que tínhamos um lance , saíamos quando os dois queriam , nada sério.Mas quando esse protótipo de relacionamento começou a exigir que eu me modificasse , ficasse selvagem demais eu terminei.Afinal , drogas lícitas e ilícitas não são meus planos para um futuro próximo , ao contrário do que pensa Stan.Ele olhou para mim com aquele sorriso malicioso que eu tanto conhecia e disse:
   -Hey baby , pensei que tivesse me esquecido.
   -Ah , pensou certo - disse eu , com um sorriso irônico.
   -Deixe de lado o seu orgulho.Que tal sairmos hoje? - sugeriu ele.
   -Stan , será que sua gramática continua tão ruim que você não consegue compreender a frase : " Nós não estamos mais juntos".
   -Não brinque comigo Ágatha - disse Stan , sua expressão mudando abruptamente.
   De repente , o enlace ficou mais forte.Os seus braços começaram a comprimir lenta e dolorosamente minhas costelas , e pelo seu cheiro poderia dizer , com toda certeza , que ele estava bêbado.Mas o tom de ameaça em sua voz não me assustou.
   -Pense bem , como ficaria a imagem do principal jogador de futebol da liga se ele fosse acusado de machucar uma garota?
   Uni as sobrancelhas e olhei para o estacionamento ,que possuía um número razoável de testemunhas , fingindo um ar de confusão ao lançar tal possibilidade.Stan arregalou os olhos verdes e aos poucos foi relaxando seus grandes braços de minha cintura.
   Algo importante  sobre ele é que as únicas coisas que realmente importam em sua vida são : a sua reputação no futebol americano e o seu lustroso Mustang Shelby vermelho.Então qualquer ameaça a esses dois instrumentos o deixava em alerta.Ele deu as costas e saiu andando.Mas antes de entrar em seu carro , voltou até mim e chegou a milímetros do meu rosto, ao ponto de seu hálito quente banhar minha face e acabar me deixando tonta com o cheiro forte de álcool.Com os olhos vermelhos e uma expressão maníaca, pegou uma mecha do meu cabelo que havia escapado do rabo de cavalo e colocou-a atrás da minha orelha e disse :
   -Isso não acaba aqui.Só termina quando eu disser e ,acredite, isso não acontecerá tão cedo.Lembre-se, você é minha.
   Resisti  ao impulso de socá-lo ali mesmo e berrei:
   -Vá para o inferno , Stan!!
    Ele sorriu , em uma expressão que mais parecia uma careta , e andou em direção ao seu carro que estava na saída do estacionamento.Entrei e encostei a cabeça no volante.Estando mais calma , consegui retomar a ação que ia realizar antes de ser , bruscamente , interrompida por Stan.Olhei ao redor e constatei que era tarde , o estacionamento estava vazio , a não ser pelo antigo carro do zelador.Sendo assim,o desconhecido havia ido embora junto com a multidão de estudantes.Coloquei esse pensamento de lado ,afinal,um semestre novo sugere pessoas novas, então essa curiosidade repentina é perfeitamente explicável.
    Eu já estava atrasada para pegar Gabe.Chegando à sua escola , vi uma cena de partir o coração : lá estava meu pequeno príncipe sentado sozinho em um banco , com a cabeça abaixada e as pernas , ainda curtas demais para alcançar o chão, balançando no ar.Ao perceber a presença de alguém espiou pelo canto do olho para ver quem se aproximava.Ao me reconhecer seu rosto rosado se iluminou , pelo menos um pouco.
   -Porque você demorou tanto?- perguntou ele , um pouco rabugento.
   -Nada demais.Estava batendo em uns garotos do meu colégio , sabe como é né?-disse eu com um ar bricalhação- vamos, eu te pago um sorvete , do sabor que você quiser.
    Gabe piscou um olho e fomos para o nosso passeio.
    Ao chegar em casa , preparei o jantar e ,após isso , ajudei Gabe com o dever antes de comermos.Depois de organizar o pandemônio em que a cozinha se encontrava, levei meu irmão para o seu quarto e desejei boa noite.
    Tomei banho, e quando estava arrumando os livros na mochila ,para as aulas do dia seguinte, vi um bilhete em minha mesa de estudo , perto da luminária, com o meu nome.Estava escrito em uma letra elegante e bem desenhada.E ao lado do bilhete havia um pequeno monóculo de aspecto antigo.Fiquei surpresa pois há anos que eu não via nada parecido , parece-me que deixaram de fabricá-lo.
    O monóculo tinha uma aparência encantadora.Era de prata e toda a sua superfície era gravada com complexos intrincados de flores , folhas e ramos.Possuía um detalhe especial : no miolo de cada flor havia um pequeno cristal ( eu me recusava em acreditar que aquelas pedras eram diamantes) e conforme os movimentos que se fazia à luz , os pequenos pontinhos cintilavam , esplendorosamente , revelando diversas cores.
    A curiosidade estava me corroendo , eu queria saber que paisagem ou figura aquela linda caixinha de sonhos guardava.E ao olhar dentro do monóculo eu não conseguia acreditar no que meus olhos presenciavam.Não era possível.

Continua...
Não perca o próximo capitulo.

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