Witch Hat Atelier: uma história sobre magia, aprendizado e gentileza consigo mesma



Witch Hat Atelier
é uma adaptação do mangá criado por Kamome Shirahama e um dos animes mais comentados da temporada. Entre as diversas recomendações que vi desde sua estreia, uma das características mais elogiadas foi a beleza das ilustrações que dão vida à animação. E, de fato, elas são belíssimas. Ainda assim, acredito que a obra tem muito mais a oferecer do que apenas seu visual.


A premissa da história é simples, mas muito encantadora. Desde pequena, Coco sonha em se tornar uma bruxa. No entanto, ela acredita que isso é impossível, já que a magia parece ser um dom reservado a poucas pessoas. Sua vida muda completamente quando descobre um importante segredo sobre o funcionamento da magia e passa a estudar sob a orientação de Qifrey.


Quem cresceu lendo Harry Potter ou assistindo aos filmes provavelmente já imaginou como seria deixar de ser um "trouxa" e finalmente receber sua carta de Hogwarts. Coco representa muito bem esse sentimento de encantamento, curiosidade e esperança diante de um mundo que parecia inalcançável.


Ao longo dos episódios, é praticamente impossível não criar paralelos com outras obras. E, sinceramente, não vejo isso como algo negativo. Pelo contrário: é um lembrete da nossa bagagem cultural e da nossa capacidade de fazer conexões entre diferentes histórias.


A ideia deste texto não é analisar todos os pontos positivos e negativos da obra, mas compartilhar alguns lembretes que ela nos traz e que, muitas vezes, acabamos esquecendo no meio da correria do dia a dia.



1. O conhecimento transforma as pessoas

Existe uma frase atribuída a Monteiro Lobato que diz: "Um país se faz com homens e livros." Já Tyrion Lannister afirma: "Uma mente precisa de livros como uma espada precisa de uma pedra de amolar para mantê-la afiada. Por isso eu leio tanto."

Embora pertençam a contextos completamente diferentes, ambas as citações reforçam a mesma ideia: o conhecimento é uma poderosa ferramenta de transformação. Isso não surpreende quando lembramos de quantos livros já foram censurados ao longo da história e de como iniciativas de incentivo à leitura continuam sendo importantes, como a Biblioteca Manifesto, projeto criado por Dua Lipa em parceria com a histórica Livraria Lello, no Porto.


Na história, Coco é uma "não-sabe" — alguém que, supostamente, não possui o dom da magia. Ainda assim, sua curiosidade nunca desaparece. Quando descobre que ser uma bruxa não depende apenas de nascer com um dom, mas principalmente de estudo, dedicação e prática, sua perspectiva muda completamente.


Talvez essa não seja a principal mensagem da obra, mas é impossível não traçar um paralelo com a nossa realidade. Infelizmente, o acesso ao conhecimento ainda não é igual para todos. Pessoas com maior poder aquisitivo costumam ter mais oportunidades para explorar arte, música, filosofia, história, idiomas, esportes e tantas outras áreas. Além disso, contam com um privilégio que nem sempre percebemos: tempo.


Enquanto isso, muitos jovens precisam conciliar os estudos com o trabalho para ajudar na renda da família.


O primeiro lembrete que Witch Hat Atelier nos deixa é que sempre haverá quem prometa atalhos. Ainda assim, conhecimento, estudo e oportunidade continuam sendo alguns dos maiores agentes de transformação que existem.




2. Errar faz parte do aprendizado

Muitas vezes nos esquecemos de como é ser iniciante.

Nas redes sociais vemos apenas pequenos recortes da vida das pessoas e acabamos fazendo comparações injustas entre os bastidores da nossa vida e os momentos cuidadosamente escolhidos para serem publicados pelos outros.


Através de Coco, Agott, Tetia e Richeh, percebemos que não existe crescimento sem tentativa e erro. Não adianta ter pressa para ser perfeita. Toda habilidade é construída aos poucos, com prática, paciência e persistência.


Também entendemos que é natural desenvolver mais afinidade por alguns assuntos do que por outros. Com o tempo, aquilo que desperta mais interesse pode até se tornar nossa especialidade. Cada pessoa aprende no seu próprio tempo. E tudo bem. O importante é continuar tentando enquanto aquilo ainda faz sentido para você.



3. Descansar também faz parte do processo

Provavelmente você já ouviu frases como: "Trabalhe enquanto eles dormem."

Embora essa ideia tenha se tornado quase um lema da cultura da produtividade, ela faz muitas pessoas negligenciarem a própria saúde. O descanso não é uma recompensa pelo trabalho. Ele é uma necessidade.


Dormir bem melhora nossa capacidade de aprender, fortalece a memória, aumenta o rendimento e contribui para nossa saúde física e mental.


Em diferentes momentos da história, Coco e Qifrey nos mostram como ignorar os próprios limites pode ter um preço alto. Saber a hora de parar exige maturidade, e encontrar equilíbrio talvez seja uma das magias mais difíceis de aprender na vida adulta.


Em um mundo que valoriza tanto quem nunca para, descansar pode parecer perda de tempo. Mas talvez seja justamente o contrário. Ser gentil consigo também significa reconhecer os próprios limites e entender que descansar também faz parte do aprendizado.




4. Não existe apenas um caminho certo

Hoje em dia fala-se muito sobre criatividade. Surgem cursos, livros e fórmulas prometendo ensinar qualquer pessoa a ser mais criativa. Mas é difícil criar quando passamos boa parte da vida aprendendo que existe apenas uma resposta correta para tudo.


Um dos aspectos mais interessantes da magia em Witch Hat Atelier é que ela mostra como criatividade e conhecimento caminham juntos. Quanto mais Coco compreende os fundamentos da magia, mais possibilidades ela enxerga para resolver um mesmo problema de formas diferentes. A obra nos lembra que inovar não significa ignorar as regras, mas entendê-las profundamente a ponto de conseguir ir além delas.


Richeh, Tartah, Euini e Coco mostram que diferentes caminhos podem levar ao mesmo resultado. Ter uma boa base é importante, mas isso não significa que precisamos limitar nossa imaginação, afinal nem sempre fazer diferente significa fazer errado.



Por fim, mais do que uma história sobre magia, Witch Hat Atelier fala sobre aprendizado, criatividade, cuidado, empatia e amadurecimento. Em um mundo que exige que sejamos produtivos, perfeitos e rápidos o tempo todo, talvez o maior magia da obra seja nos lembrar de algo muito simples: aprender leva tempo.

Você não precisa saber tudo agora. Não precisa acertar sempre. Não precisa seguir exatamente o mesmo caminho que todo mundo. Continue cultivando a curiosidade. Continue aprendendo. Descanse quando for preciso e, principalmente, seja gentil consigo durante o processo.


No fim das contas, talvez crescer e ser bom em algo seja exatamente isso.


Se você gostou de obras como: A Casa da Coruja, O Serviço de Entregas da Kiki, O diário de uma princesa desastrada, Spy × Family, Matilda ou Harry Potter, há grandes chances de se encantar também por Witch Hat Atelier.



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