O Dia das Mães está chegando e, apesar do que muitas vezes a mídia faz parecer, essa é uma data que nem sempre é vivida da mesma forma por todas as pessoas. Pensando nisso, selecionei alguns livros que abordam, ainda que nem sempre de forma direta, as relações entre mães e filhos. Afinal, assim como a música, a literatura muitas vezes consegue nomear sentimentos que não sabemos explicar.
Se você já é mãe, talvez encontre nessas histórias reflexões sobre dilemas e desafios que fazem parte dessa experiência e, quem sabe, até um certo acolhimento. Se você é filha, pode ser uma oportunidade de reconhecer nuances que ajudem a compreender melhor sua própria mãe ou até a si mesma.
Os nomes, de Florence Knapp
Em Os nomes, a autora Florence Knapp transforma uma escolha aparentemente simples, dar o nome a um bebê recém-nascido, no ponto de partida para uma história fascinante sobre as consequências invisíveis das decisões que tomamos. Após o nascimento do filho, Cora se vê dividida entre ceder ao marido controlador ou romper com a tradição familiar. A partir dessa dúvida, a narrativa se desdobra em três caminhos possíveis, onde vamos acompanhar as vidas de Bear, Julian e Gordon: três versões do mesmo menino. A obra explora como cada um desses nomes atua como a primeira peça de um dominó, desencadeando reações diferentes que moldam não apenas quem o garoto se tornará, mas também o futuro de todos ao seu redor.
Suíte Tóquio. de Giovana Madalosso
Tudo começa como uma manhã comum, até deixar de ser... Maju, uma babá, atravessa a praça ao lado de Cora, a menina de quem cuida. Sem chamar atenção, ela segura firme o braço da criança, passa pelo que Fernanda, a mãe de Cora, costuma chamar de “exército branco” (as babás que ocupam diariamente o espaço com os filhos de seus patrões), sobe a avenida, entra em um ônibus… e desaparece. Não há um plano claro, apenas um impulso difícil de explicar.
Enquanto isso, Fernanda, produtora de cinema, está imersa em uma crise pessoal, que demora a perceber o sumiço da filha. Alternando as vozes dessas duas mulheres, o romance constrói uma narrativa envolvente e inquietante, revelando, aos poucos, tensões profundas sobre desigualdade, solidão e os abismos que podem existir mesmo nas relações mais íntimas.
Vocação Verão, de Sarah Morgan
Esta é uma história sobre recomeços improváveis e conexões que surgem quando menos se espera. Kathleen, aos 80 anos, depois de uma vida inteira como apresentadora de um programa de viagens, decide embarcar em uma última grande aventura pela Rota 66. Para isso, precisa de uma motorista, e é assim que Martha entra na jornada: jovem, perdida e cheia de dúvidas sobre o próprio futuro, mas disposta a arriscar, mesmo sem se sentir pronta. Enquanto isso, Liza, sobrecarregada pela vida familiar, encontra no chalé vazio da mãe uma chance de escapar da rotina e se reconectar consigo mesma.
Três mulheres em momentos muito diferentes da vida descobrem que nunca é tarde demais para recomeçar, por mais difícil que isso possa parecer.
Cartas para minha avó, de Djamila Ribeiro
Em uma escrita íntima e delicada, a autora revisita sua infância e adolescência para refletir sobre temas como feminismo, antirracismo e a importância da ancestralidade negra na formação de sua identidade. A partir da cumplicidade com a avó, Djamila transforma lembranças pessoais em reflexão coletiva.
Ao longo do relato, ela compartilha perdas profundas, como a morte dos pais, além das violências e desafios enfrentados como mulher negra no Brasil. Também atravessa experiências acadêmicas, afetivas e profissionais, tecendo uma narrativa que une memória, resistência e construção de si. Mais do que um testemunho pessoal, o livro evidencia como a memória das gerações anteriores sustenta e fortalece as lutas presentes. É uma obra sobre continuidade, cura e a força de quem veio antes, e de quem segue adiante.
Lugar errado, hora errada, de Gillian McAllister
Um suspense envolvente que mistura drama familiar e viagem no tempo para explorar os limites do amor de uma mãe.
A história acompanha Jen, uma advogada que, na véspera do Dia das Bruxas, testemunha o impensável: seu filho, um garoto aparentemente doce e gentil, assassina um homem desconhecido em frente à própria casa — sem demonstrar qualquer arrependimento. Devastada e em busca de respostas, Jen acorda no dia anterior ao crime… e, de forma inexplicável, passa a reviver os dias que antecedem a tragédia, cada vez mais distante do presente. O que começa como um mistério impossível se transforma em uma corrida contra o tempo para entender o que levou seu filho a cometer um ato tão brutal. Nesse processo, Jen também é obrigada a revisitar sua própria vida e escolhas, confrontando verdades desconfortáveis sobre quem ela é como mãe, esposa, filha, amiga e profissional.
Em meio a reviravoltas e tensão crescente, a pergunta central se impõe: até que ponto realmente conhecemos aqueles que amamos?
Solitária, de Eliana Alves Cruz
A narrativa acompanha Mabel e Eunice, mãe e filha, duas mulheres negras que possuem suas vidas marcadas por sociedade que manteve a lógica escravocrata, mesmo após a abolição. Eunice, a mãe, se torna peça-chave na investigação de um crime chocante ocorrido na casa dos patrões. A partir daí, Mabel assume o papel de reconstruir não apenas os fatos que levaram ao ocorrido, mas também as estruturas de desigualdade que moldam a vida de ambas.
Uma vida e tanto, de Emily Henry
Alice Scott é uma jovem otimista e determinada a emplacar seu grande sucesso como escritora, enquanto Hayden Anderson, vencedor do Prêmio Pulitzer, é o oposto: reservado, irônico e extremamente talentoso. Ambos chegam à isolada ilha Little Crescent com o mesmo objetivo, conquistar a confiança de Margaret Ives, uma octogenária envolta em escândalos e pertencente a uma das famílias mais comentadas do século XX, que promete escolher quem poderá escrever sua biografia. Entre segredos, competição e sentimentos confusos, a vida de todos na ilha começa a se entrelaçar, levantando uma dúvida central: a história de Margaret, e a deles próprios, será um mistério, uma tragédia ou um romance inesquecível?
Tudo é rio, de Carla Madeira
Um romance intenso e poético que mergulha nas profundezas do amor, da dor e das consequências irreversíveis das emoções humanas.
A história acompanha Dalva e Venâncio, um casal cuja vida é abalada por uma perda trágica desencadeada pelo ciúme obsessivo do marido. Esse evento rompe de forma definitiva a trajetória dos dois e abre espaço para a entrada de Lucy, uma prostituta marcada por desejos, excessos e contradições, que acaba se entrelaçando ao destino do casal, formando um triângulo carregado de tensão e fragilidade.
As Horas Frágeis, de Virginie Grimaldi
Um drama delicado e comovente sobre perdas, silêncios e os laços invisíveis que sustentam ou rompem uma família.
Diane sempre sonhou com uma vida simples e segura, construída em torno de um marido, dois filhos e um cotidiano que lhe desse sentido. Mas quando Seb a deixa, tudo desmorona, e ela se vê tomada por uma dor que a impede de perceber o que acontece dentro de sua própria casa. No quarto ao lado, o riso da filha Lou vai desaparecendo aos poucos, substituído por um silêncio cada vez mais preocupante. Aos dezesseis anos, Lou enfrenta os abalos da adolescência e a intensidade de um primeiro amor perdido, que a leva a um lugar de fragilidade profunda. Quando Diane finalmente enxerga o sofrimento da filha, entende que precisa agir, mesmo que isso signifique encarar lembranças e feridas que acreditava ter deixado para trás.
Entre desencontros, tentativas de reconexão e dores compartilhadas, mãe e filha percorrem juntas o limite entre o que foi quebrado e o que ainda pode ser reconstruído. Um romance sensível sobre vulnerabilidade, amor e a força necessária para atravessar as horas mais frágeis da vida.
A Filha da Minha Mãe e Eu, de Maria Fernanda Guerreiro
Um drama familiar que mergulha nas complexas camadas da relação entre mãe e filha. A narrativa acompanha Helena e sua filha Nana, duas mulheres que vivem presas a um ciclo de amor e conflito, marcado por mágoas antigas, incompreensões e uma comunicação quase sempre falha. Quando Nana descobre estar grávida, ela se vê obrigada a revisitar sua própria infância e, principalmente, a entender a mulher que sua mãe é — antes de tentar ser mãe também.
Fazer esta lista não foi uma tarefa tão simples, já que temos várias obras incríveis que abordam essa temática, mas acredito que, entre os livros selecionados, há uma variedade que pode ser um bom ponto de partida.
Entre rupturas, ausências, recomeços, amor e cuidado, eles nos lembram que não existe uma única forma de ser mãe, filha ou família — e talvez seja justamente essa complexidade que torne essas leituras tão significativas.
E agora me contem: vocês já leram algum da lista? Se sim, o que acharam? Tem outra indicação que vale a pena conhecer? Deixem nos comentários.
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