Seis meses atrás, Clementine West teve o pior dia de sua vida. Então resolveu seguir à risca um plano para deixar o coração longe de problemas: manter-se sempre ocupada, trabalhar como se não houvesse amanhã e não correr risco nenhum. Por ora, está funcionando.
Até que, do nada, ela dá de cara com um homem na cozinha de seu apartamento. Um homem de olhos gentis, voz grave e um gosto especial por torta de limão. O tipo de homem pelo qual Clementine seria capaz de se apaixonar perdidamente. Ele é perfeito, exceto por um detalhe: o homem existe no passado. Sete anos atrás, para ser exato. E Clementine existe no futuro dele. Sete anos à frente.
A história teria tudo para ser impossível, mas, quando criança, Clementine amava coisas impossíveis. E agora talvez passe a amar de novo.
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Tem livros que a gente escolhe. E tem livros que, de alguma forma, parecem escolher a gente, mesmo quando eles nos passam despercebido à primeira vista.
Sete anos entre nós quase passou batido por mim. O título chamou atenção, mas não o suficiente para me fazer parar. Até que, em um momento meio aleatório, resolvi dar uma chance. E, sem grandes expectativas, encontrei exatamente o tipo de história que chega devagar… e quando você percebe, já tocou em algo que você nem sabia que precisava revisitar.
A história de Clementine começa com uma perda. Daquelas que mudam tudo, mesmo quando a gente insiste em fingir que não, dividindo a vida em antes e depois. Seis meses após o pior dia da sua vida, ela segue em frente como dá, trabalhando, se ocupando, tentando não olhar muito para dentro. Porque, às vezes, seguir em frente não é sobre estar bem… é só sobre continuar. E então vem o inesperado.
Minha tia sempre dizia: se você não se encaixa num ambiente, engane todo mundo até se encaixar. Ela também dizia para manter o passaporte sempre em dia, tomar vinho tinto com carnes e branco com todo o resto, encontrar um trabalho que traga realização para o coração e para a mente, não esquecer de se apaixonar sempre que possível, porque o amor não é nada além de uma questão de momento, e mirar na lua. Sempre, sempre mirar na lua.
Um apartamento cheio de memórias. Histórias antigas com um toque de fantasia que pareciam feitas apenas como uma forma de entreter uma criança. E um homem que não deveria estar ali, não naquele tempo. Sete anos no passado.
A partir daí, o livro poderia ser só mais uma história sobre viagem no tempo e um romance clichê que a gente já sabe como termina. Mas não é isso que fica. O que realmente marca é a forma como a narrativa fala sobre quem a gente era… e quem a gente se torna.
Seria por isso que eu ainda estava ali, sozinha, naquele sofá, ouvindo os sons de uma cidade que continuava seguindo em frente, em frente, em frente, enquanto eu ainda sofria num lugar do passado? Era mentira, e aquele era só um apartamento como o A4, o K13 ou o B11, e eu estava velha demais para acreditar num lugar que poderia me carregar para uma época que não existia mais.
Iwan, no passado, é cheio de planos, sonhos e certezas. Clementine, no presente, é alguém que já viveu o suficiente para entender que a vida nem sempre segue o roteiro que a gente imaginou. E quando esses dois mundos se encontram — passado e presente, expectativa e realidade — surge um desconforto muito real: o de perceber que as pessoas mudam. E que nós também mudamos.
O livro toca, de forma delicada, naquela sensação estranha de olhar para alguém (ou até para si mesma) e pensar: “em que momento tudo ficou diferente?”. E mais do que isso, questionar se essa mudança é algo que precisa ser corrigido… ou simplesmente aceito. Porque a verdade é que a gente tenta, o tempo todo, se apegar a versões antigas das coisas. De pessoas. De sentimentos. De nós mesmos. Como se fosse possível voltar exatamente para aquele lugar onde tudo parecia mais simples.
Mas não é. E talvez nem devesse ser.
Isso era amor, não era? Não era só uma quedinha, era se apaixonar várias vezes pela sua pessoa. Era se apaixonar quando ela se tornava uma pessoa nova. Era aprender a existir a cada novo fôlego. Era algo incerto e inegavelmente difícil, que não dava para planejar.
A jornada de Clementine e Iwan não fala só sobre o amor que encontramos pelo caminho, fala sobre luto, sobre amadurecer, sobre as escolhas que fazemos e as que evitamos fazer. Fala sobre se perder… e sobre como, às vezes, encontrar o caminho de volta não significa voltar ao que era antes, mas aprender a seguir com o que ficou.
No fim, Sete anos entre nós não é uma história sobre voltar no tempo. É sobre entender que a vida acontece justamente porque a gente não pode voltar. E talvez seja isso que torna tudo mais difícil — e, ao mesmo tempo, mais bonito.
Essa tensão entre realidade e fantasia me lembrou das conversas de Meridiana com o pai em "Meridiana", de Eliana Alves Cruz , especialmente sobre esse desejo tão humano de ir embora ou de voltar, como se fosse possível negociar com o tempo, avançando ou retomando a partir de um ponto específico.
Por fim, Sete anos entre nós pode não ser o melhor livro que você vai ler na vida, mas é aquele tipo de leitura que te acompanha em silêncio, que te faz pensar sem pesar, e que, quando termina, deixa uma sensação leve… como se tivesse organizado alguma coisa aí dentro.
E, às vezes, isso já é mais do que suficiente.

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