Conectadas

by - segunda-feira, dezembro 09, 2019


Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais — pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina.
Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir — muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer. Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?
📖Skoob 👍Avaliação Final:   

Há livros que a gente precisa detalhar para quem sabe conseguir mostrar um pouco da maestria do autor ao dar vida a história, tem outros que quanto menos a gente falar sobre melhor, afinal é nos detalhes que a mágica acontece, então quanto menos souber mais incrível será a experiência.  Conectadas é um livro que poderia se encaixar nas duas categorias, mas acredito que a sinopse já nos mostra um pouco do que esperar da trama, então vou focar não no que a história conta, mas sim no sentimento que ela desperta.


Jogar me fazia tirar o peso do mundo das costas e me despia das minhas mentiras. Por mais contraditório que parecesse, ali, naquele computador, não havia máscaras. Era apenas eu mesma.  

O primeiro livro que li que apresentava um romance entre duas mulheres foi Mulheres que não sabem chorar, nele as protagonistas já eram pessoas com uma certa vivência e traziam cicatrizes causadas pela intolerância e pelo  preconceito da sociedade. Já aqui em Conectadas temos duas garotas que estão começando a descobrir seu lugar no mundo e entender mais sobre quem elas são, e apesar da pouca idade elas já possuem certa bagagem, mas isso não as tornam amargas, mas trazem a elas uma nova perspectiva de como encarar as coisas. Clara Alves ao compartilhar a história de Raíssa, Ayla e seus amigos nos traz uma dose de esperança em meio a tempos de retrocesso.  



Raíssa cresceu em uma família unida e amorosa, e está começando a entender mais sobre si mesma e como sua sexualidade é uma parte importante de quem ela é. Apesar de se sentir apoiada pelos pais ela não se sente confortável para se assumir. 


Sei lá, às vezes eu tenho a impressão de que você gosta de atuar porque é a única forma de ser quem você quiser, sem que ninguém fique te julgando, sabe?

Já Ayla cresceu em uma família conservadora  e que não lida muito bem com conflitos direitos, ou melhor qualquer tipo de conflito.  O casamento dos pais está em crise, mas eles fingem que tudo está bem. A grana  vive curta, e para piorar ela estuda em um colégio que detesta.  Essa combinação a afeta diretamente, mas ela não consegue se impor, então cria a fachada de uma garota rebelde e durona, o que de certa forma é sua maneira de pedir ajudar. Além do drama familiar ela ainda tem que lidar com a dúvida se ela gosta realmente de meninas ou é só admiração? E o meninos que ele se sente atraída?  Afinal ela gosta de meninas ou de meninos? Será que dá para gostar dos dois? 



Deve ser horrível ter que fingir ser outra pessoa pra poder ficar perto de quem você ama. Mas acho que deve ser ainda pior não poder estar perto dela.

Ao longo da leitura é interessante notar como o encontro através do que aparentemente é um simples jogo  entre Raíssa e Ayla tem um impacto real na vida uma da outra, ainda que seja algo apenas virtual. O fato da autora ter escolhido intercalar os capítulos entre as protagonistas ajudou nisso, assim como compartilhar alguns trechos das conversas entre as duas. 


Clara Alves criou uma história leve, mas capaz de despertar em quem lê uma mistura de sentimentos. Seus personagens foram bem construídos e alguns acabam chamando a atenção mesmo em papeis secundários, nos deixando com uma certa curiosidade sobre suas histórias. 


Eu queria viver assim? Eu queria me esconder? Eu queria me omitir enquanto tantas outras pessoas estavam lá fora, lutando pelo direito de amarem e serem amadas sem medo? Não.Não, eu não queria. Eu queria ter, pelo menos, a oportunidade de ser feliz."

Enfim, Conectadas, chama a nossa atenção para a importância da representatividade e diversidade, principalmente para o público mais jovem, assim como a importância de respeitar seu próprio tempo e aceitar-se, apesar do que as pessoas esperam de você.  Também nos lembra  que para se escrever uma boa história não precisa trazer uma premissa inovadora, ainda que seja interessante, mas sim saber inovar na maneira de dizer coisas que já foram ditas, assim como falar sobre assuntos que quase ninguém quer falar sobre.

Obs: Ao final do livro temos uma entrevista com a autora, onde podemos conhecer um pouco mais dos bastidores do livro e outras coisinhas. 



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8 comentários

  1. Nunca tinha ouvido falar do livro, nem da autora eu acho, vou pesquisar melhor sobre a autora e suas obras, gosto de romances.

    "Blog Arte da inspiração"

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  2. Gente, que livro LINDO!! Tanto pela arte como pela história, fiquei apaixonada. Nunca tinha ouvido falar do livro ou da autora, e fiquei super curiosa em saber mais da história da Ayla e da Raíssa. Adorei!
    Ps: eu sou mt apaixonada na arte, no template, e nas cores do Profano Feminino. É tudo mt lindo!

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  3. Ah gente que livro mais lindo. Ainda não li nada da autora, mas gostei muito da proposta de escrita e enredo dela.
    Precisamos de mais livros como esse no mercado, que fale sobre o tempo... como devemos respeitá-los e nos desprendermos das opiniões alheias.

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  4. Que layout mais lindo! Agora fiquei até meio pensativa que o meu parece tá horrível x'D kk
    Enfim, na hora que bati o olho no livro já gostei, sabendo da história e seu foco , quero ainda mais! Adorei

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  5. oi!
    Eu adorei a dica e a capa é uma gracinha :D não conhecia o trabalho da autora, parece ser bem interessante...

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  6. Olá! Esse livro tem uma arte de capa tão fofa, já chama atenção por isso. Mas a história também parece ser bem cativante! Lindo post!
    Bjo!

    https://palavrasmagica-s.blogspot.com/

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  7. Eu sou DOIDA pra ler esse livro, acho o plot bacana e a existência de romances adolescentes LGBTQIA+ meeega importante... Imagino quantas meninas passam pelo que as duas estão passando na história e precisam ser representadas, e também o quão legal é pra uma pessoa Hétero poder ver, mesmo que de fora e na ficção, uma dificuldade pela qual nunca vai passar, pra saber como ter cada vez mais empatia.
    E eu sou suspeita pra falar, uma vez que fiz isso também pro meu, mas amei PROFUNDAMENTE a autora ter criado uma playlist pública da história, é tão gostoso mergulhar musicalmente na mente de quem escreve assim!

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  8. Eu já achei a história super interessante só pela sinopse, e amei a sua resenha!
    Realmente é muito importante a representatividade e a diversidade, e esse livro parece trazer isso. Com certeza entrará na minha wishlist!

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