Amor

sábado, agosto 17, 2013



Hoje eu sentei em uma das cadeiras novas da minha cozinha. A mesinha com as cadeiras foi um daqueles móveis que dobravam de preço nas compras a prazo e que tiveram que aguardar a vez – e a grana – pra serem comprados à vista. Enfim, eu sentei enquanto o arroz secava na panela, justo naquela horinha do dia em que é quase noite e o trânsito vai ficando louco com as pessoas nervosas, querendo voltar pras suas casas.
Hoje faz cinco meses que criei coragem e mudei pro meu apê. No início era uma falta de tudo que beirava a agonia. Faltavam toalhas, faltavam lençóis, faltavam pratos e faltava energia no corpo pra lidar com tantos probleminhas domésticos. Aprendi à esperar o inesperado. E o inesperado nunca se atrasou. Costumava dizer que meu apartamento parecia um flat de rapaz universitário solteiro: geladeira vazia e sem decoração. Lembro que quando a cama chegou – um dos poucos móveis do primeiro mês – eu a olhava com adoração. De casal, porém minha, só minha. Prometi pra mim mesma aquietar o coração confuso: nenhum homem se deitaria nela.
Um mês depois de começar a morar sozinha, uma amiga veio me buscar em casa pra sair. Eu estava triste com o fim de um rolo ruim: ela me levaria pra esquecer. Num barzinho, me apresentou três de seus amigos. Não dei atenção. Mudamos de bar, dessa vez com música ao vivo e os amigos dela também apareceram depois. Já alta, com um humor melhor, um dos rapazes, alegre demais, pediu meu telefone, ele parecia tão feliz... Me ganhou no sorriso. Era 06 de abril.
Uma semana de contato depois, ele manda mensagem perguntando o que eu estava fazendo. Respondi: panquecas. Ele veio comer comigo. Sentamos na minha cama – não havia cadeiras, lembram? – e conversamos tanto, mas tanto e tanto que já eram duas da manhã. Deitados na minha cama, numa intimidade gostosa, rolaram alguns beijinhos e ele foi embora. Acordei com mensagem no celular e um sorriso enorme nos lábios.
No dia seguinte ele voltou. E dessa vez dormiu por aqui. E no dia seguinte, e no dia seguinte e no dia seguinte. Na primeira noite em que dormimos separados, a insônia me pegou: uma noite longa e inquieta demais. Pela manhã, mensagens no facebook enviadas durante a madrugada: “Ei, você tá acordada? Por favor, diz que está que eu vou dormir com você agora. Não consigo dormir. Saudades”.
E é isso, quando eu vi a minha cama havia se tornado um lugar pra dois. Mas não só a cama, meu guarda roupas – cheio de cuecas -, minha máquina de lavar – com meias sujas -, meu banheiro – com tampa levantada – e minha vida, uma loucura. O “eu te amo” veio antes do “namora comigo?”, que já nem era tão necessário assim. Foi no cinema, muito romântico, porém estragado por mim e o meu “cê tá falando sério?”.
Foram meses de adaptação, inacreditáveis de tão intensos. Enquanto o mundo me dizia pra ir com calma, ele me dizia que pensava em um futuro comigo. Eu sempre fui muito pé no chão, mas todos os meus instintos me diziam pra não ter medo. Os pais dele foram calorosos, a minha mãe aprendeu a gostar dele, mesmo de longe. E dia desses, num almoço, ele me perguntou se eu queria casar com ele.
Sempre ouvi dizer que mil homens até formam uma casa, mas é preciso uma mulher pra se fazer um lar. Mentira deslavada. Nosso lar foi feito com a cortina que penduramos juntos, o ar condicionado que instalamos precariamente, as compras tarde da noite no supermercado, os almoços em família com piadinhas sobre o peso, mas, principalmente, nosso lar – assim como todos os lares que de fato os são – foi feito de amor.
E digam o que quiser, não importa que o tempo seja curto. Eu não só acho, como SEI, que almas gêmeas não se encontram, mas se reconhecem. E a faculdade pode até estar uma loucura, meu cartão estourado e o preço a gasolina um absurdo, o fato é que o meu jantar tá quase pronto, já anoiteceu e o meu amor tá na loucura lá fora, fazendo da buzina um freio, com pressa de chegar em casa pra ficar comigo, no lar que nós construímos juntos.






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2 comentários

  1. aaah que coisa mais linda, sem palavras amei *-*



    http://quaseinvisivel.blogspot.com.br/2013/08/seguir-em-frente.html

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