Frank e o Amor


Frank está descobrindo o amor ― e você está prestes a se apaixonar por este livro.
Frank nunca conseguiu conciliar as expectativas de sua família tradicional coreana com sua vida de adolescente na Califórnia. E tudo se complica quando ele começa a sair com a garota de seus sonhos, Brit Means, que é engraçada, inteligente, linda… Basicamente a nora perfeita para seus pais ― caso tivesse origem coreana também. Para poder continuar saindo com quem quiser, Frank começa um namoro de mentira com Joy Song, filha de um casal de amigos da família, que está passando pelo mesmo problema. Parece o plano perfeito, mas logo Frank vai perceber que talvez não entenda o amor ― e a si mesmo ― tão bem assim.
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Frank e o Amor é o livro de estreia do escritor David Yoon, lançado aqui no Brasil em 2019 pela Editora Seguinte.  Ao ler a sinopse não dá para esperar uma história inovadora, afinal fingir namorar alguém para poder estar com outra pessoa é um dos maiores clichês das histórias adolescentes. Quem aí se lembra da Lane Kim, de Gilmore Girls? 

Porém, conforme vamos avançando na leitura percebemos que David criou uma história onde o romance faz parte da trama, mas não é o que a sustenta. Esse detalhe faz toda a diferença, principalmente do meio para o final. 
Se você tem a determinação para fazer algo, se comprometer e não desistir, é capaz de qualquer coisa. E não tem determinação maior do que aquela de amar quem se quer.
Frank nasceu nos EUA, mas é filho de pais coreanos extremante conservadores, racistas e que não falam muito bem inglês, inclusive ele me lembrou muito uma mistura da Lane de Gilmore Girls com o Daniel de O Sol também é uma Estrela. Sua irmã mais velha se apaixonou por um homem negro, indo contra todas as expectativas que seus pais tinham para ela e por isso foi “renegada”. Com as escolhas da irmã Frank ganhou para si toda a atenção dos pais que enxergam nele a chance de restaurar a “honra” da família, porém ele está prestes a cometer o mesmo erro de sua irmã, afinal não podemos escolher por quem vamos nos apaixonar. 

Brit, por mais sábia, atenta e consciente que seja, pertence a uma maioria branca, querendo ou não, com todos os privilégios que advêm disso, também querendo ou não.

Frank se apaixona por Brit e seu sentimento é correspondido, ela é uma garota incrível, exceto pelo fato de ser branca, ou seja, seus pais nunca aprovariam a relação. Do outro lado temos Joy, uma garota que assim como Frank vive nesse limbo de não ser nem americana nem coreana o suficiente. Ela namora um garoto chinês a quase dois anos, um relacionamento que seus pais nunca aprovariam, então ela vem mantendo isso em segredo. Frank e Joy percebem que um romance de mentira é tudo o que eles precisam para podem finalmente poderem amar quem eles desejam. Tudo vai bem até que eles percebem que a farsa só piora as coisas, e que no fundo eles não sabem muito sobre como é estar apaixonado, porém, eles concordam que há um sentimento novo e especial entre eles que não pode ser ignorado.  

Quando o mundo vira de cabeça pra baixo, a gente fica grato pelo que permanece no lugar.  

Frank e o Amor não é um livro sobre as paixões do protagonista, mas sim um livro que explora os mais diversos tipos de amor. O autor nos apresenta o racismo por diferentes pontos de vista e levanta um debate interessante sobre o assunto, principalmente se levarmos em consideração que este livro é feito com foco no público adolescente. Além do racismo temas como a diferença entre gerações e culturas distintas, a transição entre a adolescência e a vida adulta também são trabalhadas aqui. 

Quanto sei do meu pai? Ele nunca me contou sobre sua infância ou sobre sua vida adulta que fosse. Sei alguns fatos básicos: local e data de nascimento, de que tipo de comida gosta, seus poetas ingleses preferidos e por aí vai. Mas agora me dou conta de que não é muito. Mas quanto há para saber de uma pessoa?

No começo a leitura não fluiu para mim, não conseguia me conectar com Frank e em alguns pontos achei seus dramas exagerados, porém quando a narrativa nos apresenta um pouco mais da relação do protagonista com os amigos e a sua família, dando um destaque para a vida de seus pais, a história me cativou. 

Torço para que meu pai tivesse uma linha de chegada determinada que um dia ultrapassou e então parou de correr, porque isso é a felicidade para ele.

Esse livro tem tantas coisas interessante para se conversar sobre, mas que ao meu ver não seria certo compartilha-las aqui, uma vez que é exatamente nesses detalhes que a história ganha força, cativa e emociona. Mas quando penso em uma forma de resumi-la não me vem nada que não seja esse trecho da música Pais e Filhos, do Legião Urbana:
Você me diz que seus pais não lhe entendem, mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo e isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?
Se você já leu e gostou de O Sol Também é uma Estrela, da Nicola Yoon (que inclusive para quem não sabe é esposa do David), Asiáticos Podres de Ricos, Conectadas, por exemplo,  você vai curtir esse livro. Como a Jodi Picoult, autora de A Menina de Vidro descreveu esta é uma história de amor, uma discussão sobre racismo, um vislumbre da adolescência e as boas-vindas à cultura coreana, tudo ao mesmo tempo

Ah, já ia me esquecendo ao fim do livro temos uma breve entrevista com o autor que nos ajudam a entender um pouco mais sobre a construção da história. 

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