As Letras e a Formação de Escritores e Especialistas em Produção de Textos Literários | BEDA 24

by - sexta-feira, agosto 24, 2018



Olá, pessoal!
Meu nome é Fernanda Rodrigues e, normalmente, escrevo em um blog chamado Algumas Observações. Hoje eu vim aqui no Profano Feminino, a convite da Ane, para compartilhar como vocês um pouco da minha experiência acadêmica. Então, se você tem dúvidas sobre como é ser um profissional das Letras, fique aqui que eu lhe explico! 😉

Um breve histórico

Formei-me em Letras (português/inglês) pela Universidade São Judas, em 2013. Escolhi este curso porque sempre fui apaixonada por comunicação — principalmente a escrita — e porque sempre quis lecionar. Lá, iniciei a minha carreira docente, trabalhando em na monitoria de um projeto chamado Learning Center, lecionando língua inglesa.
Em 2016, matriculei-me no curso de pós-graduação do Instituto Vera Cruz chamado Formação de Escritores e Especialistas em Produção de Textos Literários, nele pude estudar sobre os processos criativos, sobre a crítica literária e, o que é mais legal, escrever um livro literário sob orientações de outros escritores.
Atualmente sou professora de Língua Inglesa e de redação. Também atuo como escritora, revisora, leitora crítica, blogueira e moderadora do Projeto Escrita Criativa.

Curso de Letras

                Há diversos cursos de Letras (bacharelado, licenciatura plena e habilitação em tradução e interpretação). Então, a minha primeira recomendação para quem está pensando em ingressar é comparar as grades curriculares das diversas universidades. Dentro desses três modelos, o aluno pode escolher apenas uma língua (por exemplo, Língua Portuguesa), duas línguas (as mais comuns são Português/Inglês e Português/Espanhol, mas nas universidades públicas a lista das estrangeiras é longa) ou uma língua e linguística.
As áreas de atuação do profissional formado em Letras geralmente são:
·         no caso dos bacharéis: redação, revisão, preparação, tradução e versão de textos, crítica literária e ensino em não-formal (como em escolas de idiomas).
·         no caso dos licenciados: tudo que os bacharéis fazem e a possibilidade da docência no ensino formal (Ensino Fundamental anos finais — de 6° a 9° anos — e Ensino Médio).
·         no caso dos que têm a habilitação em tradução e interpretação:  tudo o que os bacharéis fazem, mais a interpretação (em eventos, por exemplo) e legendagem.
Ao escolher qual caminho seguir é importante ter em mente que, apesar de áreas próximas, elas têm pontos bem específicos que as distinguem. No meu caso, eu cursei o bacharelado e a licenciatura, por isso não fiz as disciplinas relacionadas à tradução, interpretação e legendagem, por exemplo.
                Outro ponto fundamental a se considerar relaciona-se à língua estrangeira. Muita gente entra no curso de Letras achando que vai aprender inglês (ou espanhol, ou francês etc.). Nem sempre é assim que tudo funciona, já que um bom curso de Letras vai aprofundar os conhecimentos linguísticos de seus alunos. Quando eu entrei no curso já sabia bastante de inglês, então não sofri. Entretanto, vi colegas de turma tendo que correr muito atrás, para conseguir atingir a média nas disciplinas relacionadas à Língua Inglesa. Sendo assim, sugiro que entre sabendo ao menos um pouco (nível intermediário, talvez) da língua estrangeira que quer cursar — ou que opte por Língua Portuguesa (/ Linguística) — se você quiser ter uma graduação minimamente tranquila.
                Por fim, é importante saber que o curso de Letras não é fácil. Há esta ilusão de que fazer Letras é algo simples, mas não é. É um curso extremamente teórico, que exige leituras densas e simultâneas. Então, se busca algo simples, este curso não é para você.


Formação de Escritores e Especialistas em Produção de Textos Literários

Cheguei ao curso de Formação de Escritores porque sempre quis trabalhar com literatura. Escrevo no Algumas Observações desde 2006 e sempre gostei da crítica literária enquanto cursava Letras, então achei um máximo quando encontrei uma pós-graduação que unia tudo isso à criatividade. Naquela época, não havia outro curso de escrita criativa em São Paulo (ao que me parece, só existia um no Rio Grande do Sul), por isso, vi a minha grande chance de voltar a estudar algo que realmente amo.
O processo seletivo foi simples: preencher uma ficha com os dados e mandar alguns textos escritos por mim para os professores que fariam a seleção. Uma vez aprovada, só precisei ir até lá para realizar a matrícula.
O curso se divide em disciplinas obrigatórias, disciplinas optativas e oficinas avançadas de escrita. Como TCC, cada aluno deve produzir uma obra literária.
Tanto as disciplinas obrigatórias, quanto as optativas funcionam mais ou menos do mesmo modo (cada professor pode variar um pouco, dando a sua cara ao curso): há um conteúdo teórico/literário a ser lido e uma proposta de escrita a ser feita. Já as oficinas avançadas têm uma dinâmica diferente: monta-se um calendário de entrega em que a cada aula dois ou três alunos entregam parte do TCC (contos, crônicas, poemas ou um trecho do romance que está escrevendo) que serão lidos e discutidos por todos na semana seguinte. Na aula da discussão, todos os colegas devolvem ao autor a cópia do texto comentada, bem como uma resenha crítica do que achou. Durante a discussão do texto o autor não pode falar nada. Ele deve ouvir, refletir e decidir quais críticas são as que melhor contribuem para a sua obra.

Meu livro e eu no dia da entrega do meu TCC.


As áreas de atuação do profissional formado em Formação de Escritores e Especialistas em Produção de Textos Literários geralmente são:
·         escrita literária — todo mundo que entrou neste curso queria ser escritor;
·         crítica literária — produzir conteúdos relacionados à literatura (resenhas e artigos sobre livros específicos e sobre o conjunto da obra de determinado autor);
·         ensino de escrita literária — para os que cursam as disciplinas relacionadas à docência, há a possibilidade de ensinar outras pessoas a escrever literariamente;
·         edição e preparação de textos — auxiliar os escritores na melhoria do texto literário.
A troca de experiências em um curso como este é algo magnífico. Além disso, aprendemos a controlar o nosso ego e a separar a crítica que é destinada à pessoa daquela que é destinada ao texto. Também desenvolvemos a habilidade de apontar as grandezas e fraquezas de um texto, indo além do “eu gostei” ou “não gostei”. Por fim, é muito bacana poder entrar em contato e ter como professores escritores renomados. Sem dúvida, é uma experiência que eu não só levo para a vida, como recomendo muito para quem deseja seguir essa carreira.

Acho que é isso. Se tiverem dúvidas, deixem nos comentários. Vou adorar responder a todos vocês. Aproveito também para convidá-los a visitarem o Algumas Observações e a lerem o post que a Ane escreveu, sobre o curso de Biomedicina.
Beijos e queijos e até lá! 😉

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