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De frente com a verdade

by - terça-feira, outubro 22, 2019

Everton Vila

Por muito tempo eu neguei a verdade que há muito tempo eu já sabia, eu e você não fomos feitos um para o outro. Você não imagina como foi difícil para eu criar a coragem de admitir  que nossa história de amor, o conto de fadas da vida real não passou de uma mera fantasia que criamos em nossas cabeças. 

Não me entenda mal, o que nos tivemos foi real o sentimento que criamos não foi uma mentira, porém tenho que assumir que talvez eu tenha apressado um pouco as coisas e nomeado erroneamente o que eu sentia. Por muito tempo eu me apaixonei pela ideia de estar apaixonada, eu desejava tanto sentir esse sentimento avassalador que por muito tempo eu vi nos filmes e nas novelas que quando vi as pessoas próximas a mim, desfrutando desse sentimento eu as invejei, e desejei mais que tudo ter alguém para chamar de meu.

Foi então que o seu caminho cruzou com o meu e eu finalmente tinha encontrando alguém que também ansiava conhecer o amor. Mas nós éramos jovens demais e arrisco dizer um tanto tolos por acreditar que o amor nasce de um simples esbarrão ou uma troca de olhares com um estranho na rua. Hoje eu sei que o amor é a soma de todas as coisas, é compreender o tempo do outro, e acima de tudo respeitar o nosso tempo, é saber que não precisamos encontrar nossa metade ainda que na maior parte do tempo nos  sintamos perdidos. É sabe que o amor é algo construído diariamente e que apesar do medo de cair na rotina, cuidar dele precisa fazer parte dela e criar este hábito  leva mais que apenas 21 dias.  

Com a gente foi tudo muita rápido, intenso, fácil até. Porém, hoje percebo que sei muito pouco sobre você e quase nada sobre mim. Por muito tempo fomos nós. Não existíamos separamos no mundo real e o nosso "eu" virou um reflexo de quem éramos quando estávamos juntos. Pode me chamar de megera, bruxa, vaca, vadia sem coração, sei que é difícil de aceitar, mas se você pensar um pouco verá que eu tenho razão. Não há mais motivos para alimentamos essa fantasia, merecemos a chance de dar um ao outra a chance de ser genuinamente feliz e não parcialmente. No momento que admitirmos que fomos seduzimos pela ilusão de não estamos mais sozinhos no mundo, será o mais perto que estaremos de amar verdadeiramente um ao outro. 

Não me entenda mal, mas eu nunca senti aquele frio na barriga, nem ficava animada ao ver seu carro estacionado na garagem da minha casa. É verdade que o beijo encaixava, mas faltava faísca, o abraço era sempre acolhedor, porém nunca com cara de lar. Tudo era bom, nunca incrível. Não era quente, muito menos frio, era morno o suficiente para não desejarmos querer sair da zona de conforto que criamos. Posso parecer ingrata por estar querendo mais, e não aceitar o que eu já tenho, e talvez eu seja um pouco. E que saber tudo bem, às vezes a gente precisa ser um pouco egoísta. A cada novo dia é um dia a menos que temos, e por mais que ainda sejamos jovens não seremos assim por muito tempo. Então olhando em seus olhos me encontro mais uma vez de frente com a verdade que não posso mais ignorar, e ainda que minhas palavras pareçam que vão dilacerar seu coração, pode ter certeza que agora o que parece o fim,  é apenas o começo de algo incrível  que está por vir, ainda que dê um medo danado de se encontrar sozinho. E é exatamente é isso que nós precisamos fazer nos encontrar sozinhos, ainda que  a gente se perca e nada pareça fazer sentido, que do nada dê uma vontade louca de ligar às duas da manhã pedindo para voltar, a gente precisa  se descobrir sem a sombra do outro.  Cada um merece encontrar sua  verdade e ter o direito de contar a própria história. 




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7 comentários

  1. oi!
    Com certeza cada merece encontrar seu caminho e sua felicidade, e para isso as vezes precisamos estar sozinhos...

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  2. Adorei o seu texto. Eu fiz um para essa blogagem coletiva, mas ainda não postei.

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  3. Eu estou é chocada como esse texto descreveu exatamente o que eu já passei. Caramba, ele realmente ficou muito bom!
    Parabéns.

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  4. Nossa que texto lindo! To vivendo uma situação parecida e é tão difícil!

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  5. Eu encontrei minhas indecisões nesse texto, mas para mim são mais medos que verdades....tenho medo de confundir o que sinto, de me perder, de estar por medo de ficar sozinha...tenho sempre feito essas reflexões e o seu post me ajudou em uma dessas..adorei :)

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  6. Olá!
    Que texto bacana, me identifiquei com ele.
    Por um tempo vive essa mesma ilusão, mas graças a Deus acordei pra vida.
    Abraços.

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  7. Eu estou aqui a pensar como as coisas acontecem. O começo, o meio e o fim. Uma das coisas que eu não entendo é porque a gente insiste em não finalizar. A gente percebe, claro, que acabou. As duas pessoas na história percebem. Mas há sempre alguém que queira ficar e não quer ir... ou pior, culpa o outro, às vezes, como forma de dizer a última palavra e vai embora, batendo portas.
    Seu texto me fez lembrar de várias pessoas-amigos que passaram por isso. Acabar uma história não é fácil, obviamente. Mas seria menos difícil se todos aceitassem o fim.

    bacio

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