Enfim encontrei...

by - terça-feira, fevereiro 13, 2018


O que eu não digo com muita frequência  é que eu não tenho a menor ideia do que eu estou fazendo com a minha vida, que por trás desse sorriso confiante existe uma mulher insegura. Sabe toda essa  maquiagem que cobre meu rosto que vocês tanto admiram e invejam  é para esconder as olheiras das noites mal dormidas que estão se tornando cada vez mais frequentes, mas isso ninguém precisa saber. 

Ao final do dia não sei o que mais me incomoda se é a dor nas pernas por passar horas e horas em cima de um salto agulha, a dor nos ombros graças ao peso de carregar o mundo nas costas (não digo literalmente o mundo porque tecnicamente isso não seria possível, mas sim todo o meu mundo) ou esse aperto no peito que eu não consigo descobrir a causa ainda que desconfie das possíveis origens. Mas quando a noite cai já não importa o que doí mais, porque o silêncio grita mais alto abafando minha dor e me lembrando que o tempo não para que eu conserte aquilo que está errado e mais uma noite em claro se inicia...

Dizem que é normal se sentir meio perdida entre os 15 e os 30. Que se perder pelo caminho faz parte do processo de se encontrar e todas essas baboseiras filosófica e outras nem tanto que a gente encontra hoje pela internet. Mas o que deveria me dar uma sensação de pertencimento e aceitação se me fez me sentir mais deslocada e sozinha nessa  busca pelo sentido da minha vida. 

Todo mundo nos diz que  não vai ser fácil, mas o que eu não entendo é porque tem tantas pessoas felizes em dificultar. Eu não tenho a menor ideia do que estou estou fazendo com a minha vida e isso já não é mais segredo para ninguém, mas por mim tudo bem, porque eu sei quem eu sou, não estou perdida. O que eu não entendo é porque eu ainda tento me encaixar. A vida é muito curta e o tempo não espera, então eu me pergunto o  motivo de todos os dias eu viver uma vida que eu não quero? 

Não sei se você me entende, agora relendo talvez nem eu entenda o que exatamente eu queira dizer. Ainda assim em meio aos meus devaneios insones  enfim encontrei aquilo que eu tanto procurava, ainda que não soubesse que precisava. Tudo era uma questão de perspectiva, finalmente eu entendi que tudo o que me faltava para fazer sentido, encontrar o meu lugar ao sol era aceitar que eu não era uma garota indecisa entre os 15 e os 30, que eu estava confusa exatamente por tentar fazer sentido para pessoas que ao menos se entendem.  Enfim a resposta que encontrei é que tudo bem se sentir um tanto quando incerta sobre o futuro e até mesmo ao seu presente desde que todas as suas escolhas sejam suas, para você e jamais para agradar ou outros, porque no fim tudo o que te resta é o que cada descoberta, tropeço, acerto e erro te fez sentir, e é isso que faz sentido, pelo menos pra mim. 







Você pode gostar

5 comentários

  1. Eu passei por uma fase assim há pouco tempo, acho que é normal passar por isso, mas a resposta pra mim é simples, cada coisa no seu tempo, aprender a desacelerar foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida ❤

    Carol Justo | pink is not rose

    ResponderExcluir
  2. No final sempre acabamos carregando um peso a mais do que realmente podemos suportar. A chave é carregar é uma coisa de cada vez para não sobrecarregar. Adorei o texto! Parabéns ♥
    Beijo grande,
    Café, Vodka e Literatura

    ResponderExcluir
  3. Eu faço parte da estatística dos 15 aos 30 e como faço 30 esse ano, espero encontrar algum sentido em breve rs. Vivo esse sentimento diariamente. E por mais que eu me conforme/convença de que está tudo bem se sentir assim, não entendo o pq faço de tudo para me encaixar =/
    Adorei esse texto

    ResponderExcluir
  4. IAI, beleza?

    É tudo muito confuso realmente. Em um dia a gente tem certeza de onde caminhar e no outro a gente nem sabe o que ta fazendo. Entre tanta ansiedade, crises existenciais e incertezas sempre lembro aos meus amigos de duas coisas: existem situações que podemos mudar e outras que não podemos fazer nada. É por essa última que não devemos nos estressar. Como você disse, está tudo bem se sentir incerta. Mas é sempre importante sermos nós mesmos e tomarmos as decisões que realmente são nossas.

    p.s.: Parabéns pela forma como se expressou. Ótima escrita.

    ResponderExcluir
  5. Oi, Ane!
    Achei o seu texto tão lindo, porque ele ressoa muito no meu momento de vida :)
    A minha esperança é que me perder se torne o caminho para que eu possa me encontrar. Assim como a sua narradora, ando tentando mudar a perspectiva. Espero que dê certo.

    Beijos,

    Algumas Observações

    ResponderExcluir

Olá! Sua opinião é muito importante para nós, fique a vontade para comentar. Obrigada pela visita! Volte sempre.