Para humanos e vampiros, as regras são as mesmas: nunca confie em ninguém, nunca ceda e sempre — sempre — proteja seu coração. A serpente e as asas feitas de noite é sucesso no TikTok e o primeiro volume da duologia Nascidos da noite, a saga inicial de Coroas de Nyaxia, uma romantasia repleta de magia das sombras, intrigas e romances perigosos.
Oraya é a filha adotiva do rei dos vampiros Nascidos da Noite. Humana em meio a predadores naturais, ela passou a vida lutando em um mundo que desafia sua existência. A única chance que tem de sobreviver é vencendo o Kejari, um lendário torneio promovido pela própria deusa da morte. Mas derrotar seus adversários, vampiros das três casas do reino, não será um desafio simples e, para resistir à brutalidade das batalhas, Oraya será obrigada a se aliar a um rival misterioso.
Raihn é um vampiro atroz, inimigo do rei e o oponente mais poderoso que Oraya encontra. Ainda assim, o que mais a assusta é a inesperada afeição que sente por ele. Quando a Casa da Noite é ameaçada, Raihn parece ser o único capaz de entender e ajudá-la, mas, em um mundo em que nada é mais mortal que o amor, essa relação pode colocar tudo a perder.
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Aviso de gatilhos: o livro aborda temas que podem ser sensíveis para alguns leitores. Por isso, considero importante destacá-los. A própria obra traz esse aviso logo na abertura: cenas de violência, tortura (não explícita), flashbacks de estupro (consentimento retirado), automutilação, abuso emocional, escravidão e menções e referência a abuso sexual.
Já fazia um bom tempo desde a última vez que li uma história em que o universo dos vampiros fosse o tema central. Por isso, comecei a leitura sem muitas expectativas, mas curiosa para descobrir como a autora desenvolveria essa temática.
A Serpente e as Asas Feitas de Noite é o primeiro volume da duologia Nascidos da Noite, saga que inaugura a saga Coroas de Nyaxia, da autora Carissa Broadbent.
A premissa da história é aparentemente simples: Oraya é uma humana que perdeu toda a sua família em um ataque de vampiros. No dia mais sombrio de sua vida, ela é resgatada e adotada por Vincent, o rei dos vampiros Nascidos da Noite. No entanto, ser uma humana vivendo entre vampiros sedentos por sangue está longe de ser uma tarefa fácil. Para garantir sua sobrevivência, Oraya decide participar do Kejari, um lendário torneio no qual qualquer vampiro das três grandes casas do reino — Casa do Sangue, Casa da Noite e Casa das Sombras — pode competir. A disputa consiste em uma série de desafios mortais até que reste apenas um vencedor, que terá um desejo concedido pela própria deusa Nyaxia. Se você já leu Trono de Vidro ou Jogos Vorazes, provavelmente já está familiarizado com o quão brutais esses torneios podem ser.
O rei não sabia que seu maior amor também seria sua ruína — nem que ambos surgiriam na forma de uma criancinha humana indefesa.
Embora Oraya tenha aprendido desde cedo a lutar e a se proteger, ela logo percebe que não chegará muito longe sem aliados. Entre os Nascidos da Noite existem dois grandes clãs, os Hiaj e os Rishan, que travam uma disputa pelo poder há milhares de anos. Sabendo dessa rivalidade, torna-se ainda mais inesperado que Oraya forme uma aliança com Raihn e Mische, dois vampiros pertencentes a um clã rival ao de seu pai. Conforme o trio avança no torneio, Oraya e Raihn desenvolvem uma conexão que pode colocar tudo a perder.
Na minha opinião, o grande destaque do livro é a construção da protagonista. Mesmo sendo humana, ela não precisa ser resgatada a todo momento. Oraya é uma personagem forte, determinada e com uma dualidade muito interessante, o que faz de seu desenvolvimento um dos pontos altos da trama.
Você acha que não consigo ver como trabalhou para manter sua humanidade? Você é mais humano que eu, Raihn. Você manteve todas as partes que o fazem valorizar as coisas neste mundinho de merda que ninguém mais valoriza. Manteve compaixão. Não importa se agora seu sangue é preto. Isso não mudou quem você é.
Já o romance, embora previsível, foi bem construído. O relacionamento entre Oraya e Raihn se desenvolve de forma gradual, permitindo que o leitor conheça melhor os personagens e passe a torcer para que, mesmo diante de tantas adversidades, eles consigam ter um final feliz — se é que isso é possível, afinal, ambos participam de um torneio mortal do qual apenas um sairá vivo. E, justamente quando pensamos que sabemos para onde a história está caminhando, a autora entrega uma grande reviravolta, tornando a leitura ainda mais envolvente. Senti falta de algumas explicações sobre determinados acontecimentos, mas acredito que essas respostas tenham sido reservadas para o segundo volume da duologia.
Ainda no quesito romance, outro aspecto que considerei um grande acerto foi a forma como a autora desenvolve o relacionamento entre Oraya e Raihn. Ainda que de maneira sutil, a história levanta reflexões sobre o que realmente nos torna humanos e como preservar a própria humanidade quando tudo ao redor é marcado pelo caos, pela violência e pela sede de poder.
Vivi muitas injustiças nos últimos séculos. Vi muitas farsas. Mas a maior delas, Oraya, é alguém ensinar que você deveria virar qualquer coisa além do que já é.
A Serpente e as Asas Feitas de Noite é uma história que equilibra muito bem ação, romance e fantasia, e acredito que esse seja justamente o seu maior diferencial. Além disso, considero ser uma boa opção para quem deseja começar a ler romantasias e gosta de histórias com vampiros.

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