Ele
tinha um poder sobre mim, parecia que meus passos eram conectados aos dele. O toque
dele sobre minha pele fazia cada parte do meu corpo se arrepiar e ele sabia
disso e usava tudo ao seu favor. Sabia que aquela voz rouca no meu ouvido me
gelava por dentro, então falava todas aquelas besteiras, bem lentamente só para
que cada palavra causasse um inverno dentro de mim. Mas por fora meu corpo estava
quente, e quando eu falava isso para ele, eu via os olhos dele brilhando se
vangloriando de tanto poder. Ele tinha um jeito de me tocar, de me puxar para
perto que eu não conhecia. Era forte e ao mesmo tempo cuidadoso. Ele dizia
lentamente no meu ouvido: você é minha. E eu não me via sendo de outra pessoa. Aqueles
beijos macios no meu pescoço fazia meu sangue pulsar aceleradamente, minha
respiração ficava ofegante como se eu tivesse acabado de participar de uma
maratona. Era de ficar boquiaberta como ele me conduzia, sem musica, sem passos
extraordinários, mas com uma leveza que me dava à sensação de esta flutuando. O
beijo dele era quente como uma chama, mas intenso, aquele tipo de beijo que faz
as pernas bambear. Que homem era aquele com tanto poder sobre mim, porque cada
gesto dele não saia da minha mente. Eu já era dele, meus pensamentos eram dele,
meu corpo o pertencia totalmente. Eu sempre
tive o nariz em pé, sempre fui dona de cada passo meu, mas quando ele me perguntou
no meio daquela tempestade ‘Seja minha?’ a única coisa que saiu da minha boca
foi ‘Para sempre’.
Relicário
Lembro de ouvir minha avó dizer à minha mãe: — A gente não cria os filhos para si. Cria para o mundo. Na época, eu não entendia o que aquilo significava. Mas me lembro do olhar cansado de minha mãe respondendo que vovó não entendia, que os tempos agora eram outros. Por muito tempo essa memória permaneceu quieta dentro de mim. Até que, em uma manhã aparentemente comum, aquelas palavras atravessaram meu pensamento logo nas primeiras horas do dia. E, antes mesmo de compreender por quê, a lembrança dos olhos cansados de minha mãe voltou inteira para mim. Ela dizia que minha avó não entendia. Hoje, sou eu quem não entende. Será que algum dia entenderemos de verdade o que significa amar alguém e, ainda assim, prepará-lo para partir? A frase me acompanha enquanto meu corpo muda e a vida segue acontecendo. É uma presença silenciosa, quase delicada, como o som da brisa agitando as folhas das árvores lá fora. Ainda assim, há algo nela que me assusta. Principalmente agora, quando acaricio minha b...

Eu me derreti toda agora.
ResponderExcluir^^
Já pensou em criar um livro?
não vou mentir, essa ideia ja passou pela minha cabeça kkkkkk
ResponderExcluirnão vou mentir, essa ideia ja passou pela minha cabeça kkkkkk
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