A sorte de um amor tranquilo

domingo, janeiro 22, 2017


Não devemos depositar no outro a resolução de nossos problemas, a responsabilidade de preencher nossas rachaduras, cicatrizar as nossas feridas. Me desculpe Cazuza, mas ninguém merece um amor com sabor de fruta mordida e Deus me livre da sorte de um amor tranquilo.

Passei muito tempo acreditando que tudo que eu mais queria era um pouco de calmaria, nenhum conflito. Mas descobri que querer e precisar não são as mesmas coisas. Eu sei que não quero e não preciso de alguém pela metade, alguém que não possar estar comigo por inteiro.  Sei que somos a soma de todas as nossas caras metades que conhecemos pelo caminho, mas ainda sim, isso não nos diminui, apesar de muitas vezes nos machucarmos e nos sentirmos quebradas, ainda sim depois que tudo passa continuamos inteiras, porque ao contrário do que querem que acreditemos sempre fomos assim. E na maioria das vezes esses tropeços só nos fazem ainda mais fortes. 

Pensei que depois de tantas desilusões eu queria e precisava de calmaria, e torcia pela sorte de ter um amor tranquilo. Mas mar calmo não faz bons marinheiros, e percebi que precisava de algumas tempestades para me fazer sair da zona de conforto e assim crescer. O que quero dizer é que a gente precisa ter ao nosso lado alguém que desperte aquilo que de melhor há em nós, alguém que nos desafie, nos instigue a ir além. Alguém que nos tire para dançar, mesmo que a gente tenha dois pés esquerdos só porque dançar é bom, mas dançar junto é melhor. Alguém que nos mostre que acordar cedo pode ser uma droga, mas quando temos alguém ao nosso lado para ver o sol nascer pode ser uma droga boa. Enfim poderia dar inúmeros exemplos de "conflitos" que tirariam meu conforto, mas que valeriam a pena abrir mão da minha "tranquilidade".  


Então me desculpe Cazuza mas não quero ter a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida. Mas admito que quero viver o "nós" na batida no embalo da rede, aqueles altos e baixos que fazem a gente se sentir viva, afinal é essa oscilação que nos mantém vivos. Quero viver tendo a sensação de borboletas no estômago e o frio na barriga. Parei de ter medo de enfrentar as tempestades e aprendi a dançar na chuva! 

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6 comentários

  1. Seu texto é incrivel ! Viajei nele, obrigada por compartilhar esse dom menina

    http://giselleovits.blogspot.com.br/

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  2. A-M-E-I o texto. Como de costume né, venho por aqui e sempre gosto muito do que leio, mas infelizmente ou felizmente não sei, eu ainda não aprendi a dançar na chuva e não quero um amor tranquilo. To numa fase muito minha companhia me basta, acho que uma hora, em algum momento, alguém surge e muda os planos da gente!
    Beijão, www.comertreinareamar.com

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  3. Eu acredito que existe uma diferença entre conflitos e divergência de pontos!
    Um relacionamento banhado no ciumes, na briga e desordem é complicado. Mas uma coisa eu aprendi, não podemos controlar a emoção do outro e não podemos nos viver nossa vida baseado no estado alegre dele. Uma vez que as emoções de cada um flutua ao sabor dos encontros com o mundo.
    Sei lá, relacionamentos são complicados. Eu poderia divagar muito aqui, mas o texto ficaria gigantesco.
    bjos LP
    quatroselos.blogspot.com.br

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  4. Amor é revolução, por dentro e por fora.
    É o sentimento mais intenso do ser humano.

    Beijo,

    Hida

    www.blogdahida.com

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  5. Eu já quis (e já tive) os dois tipos. Um faz a gente ir pra frente, como você disse. O outro traz noites tranquilas. Será que não conseguiremos um pouquinho dos dois? Um amor sossegado, mas com paixão de tirar o fôlego? Adorei a reflexão, me fez repensar no que ando buscando :)

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  6. Muito bom o texto!!!!

    Realmente depois de várias decepções a gente vai atras de calmaria!!! Mas um amor tranquilo não faz coração nenhum palpitar!!!

    Muito bom aprender e não ter medo de amar!!!

    Beijinhos

    Barbara Carolina


    http://ironicamenteinusitado.blogspot.com.br

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