Vida de Universitário II

quarta-feira, novembro 07, 2012


Olá gente! Como vocês estão?  
Hoje tem mais uma entrevista da tag Vida de Universitário. As entrevistas têm como intuito ajudar quem está entrando nessa fase, tem dúvidas sobre o curso que quer fazer, morar sozinha e etc. Espero que gostem. Ficou um pouquinho grande, mas vale super a pena ler até o final. 

1-Qual seu nome e idade? E nos conto um pouco sobre a sua escolha do curso? 
Meu nome é Natália Corrêa e tenho 20 anos de idade. Sou de uma cidadezinha no interior do Rio chamada Volta Redonda que abriga a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), onde o conceito de universidade ainda é apenas algo que as pessoas fazem pra ganhar mais dinheiro. Por lá é muito normal se formar no ensino médio, arranjar um emprego de escritório ou o que for e depois casar. Pronto, acabou. Eu sempre odiei isso. Uma coisa que eu sempre amei foi ler e eu sabia que queria trabalhar com livros, assim decidi ser Editora Literária. Não tem um curso específico pra isso, então no ano de vestibular eu prestei pra Jornalismo, Letras e Editoração. Ia ser só isso até que uma amiga ficou me dizendo que tinha um curso que eu devia dar uma olhada por que era a minha cara, olhei, adorei, mas fiquei com o pé atrás o tempo todo. O ano inteiro eu tive medo de um milagre acontecer e eu passar pra todos os cursos e ter que escolher um só, eu morria só de pensar. Nunca me decidi totalmente, acabei passando pelo SiSu pra Letras na UFRJ. De cara quando eu passei eu sabia que não era o que eu queria. Assim, eu desisti e resolvi prestar mais um ano. Até que - finalmente - saiu o resultado que eu nunca esperava e, assim, meio do nada eu percebi que o curso que minha amiga tinha sugerido e sobre o qual eu não tinha muita certeza, era o curso perfeito o tempo todo!


2-Qual curso você faz e qual semestre está cursando? Sua faculdade é pública ou particular?
 O curso que minha amiga tinha sugerido era Estudos Literários na Universidade Estadual de Campinas-SP, a Unicamp. Simplesmente uma das melhores do Brasil, e a única que entra, junto com a USP, nas listas mundiais das melhores faculdades! Entrei esse ano e estou terminando agora o segundo semestre. 

3-Este é o curso que você queria desde o Início?
Como eu disse, eu nunca tive certeza de qual curso eu queria. Eu tomei o caminho inverso: escolhi a profissão que eu queria. Ao invés de fazer um curso que podia me dar um leque de opções no mercado de trabalho, escolhi com o que eu queria trabalhar e isso me deu um leque de opções de cursos que eu poderia fazer. Acabou que mesmo passando pra Letras eu desisti, mas ainda gosto da ideia de Jornalismo. E uma história engraçada: Quando saiu a lista da Unicamp, eu passei primeiro pra segunda opção, que era Letras! Fiquei MUITO na dúvida se ia ou não, mas dei uma olhada na grade curricular e resolvi arriscar, afinal, não dá pra simplesmente negar uma vaga na Unicamp! Acabou que tudo deu certo e um mês depois eu fui remanejada automaticamente pelo vestibular pra primeira opção e hoje curso Estudos Literários.

4-Quais eram sua impressão sobre o curso antes e agora que está finalmente o cursando? Você superou suas expectativas?
Eu admito que achei que teria muito mais produção literária (pelo que eu percebi nos meus colegas de classe, esse é um engano bem comum), mas na verdade o curso é muita analise literária. Tanto brasileira quanto geral. Tem muita variedade de matérias e apenas 6 são obrigatórias, todo o restante dos créditos podem ser cumpridos em qualquer matéria de literatura que a gente quiser (dentre as que são abertas por semestre, claro). Então, isso torna o currículo muito amplo e a gente pode meio que escolher a formação que quiser. Temos também créditos obrigatórios "Unicamp", que meio que forçam a gente a sair do nosso instituto e ir fazer outros cursos do nosso interesse, seja em filosofia ou arte, pra uma experiência universitária melhor ainda! De modo geral, estou adorando. Estamos fazendo abaixo-assinados pela inclusão de matérias de criação literária, mas mesmo as outras matérias são com professores incríveis e cada debate em sala de aula abre minha mente pra um mundo novo! É claro, o ritmo é absurdo! Muita coisa pra ler em muito pouco tempo, mas pra quem gosta disso, é uma delícia!

5-O curso que você queria tinha em sua cidade/estado ou você teve que se mudar para outro lugar? Caso você tenha tido que se mudar como foi todo o processo de adaptação? O que mais você sentiu dificuldade?
Tem Letras e Jornalismo na minha cidade, mas só em faculdades particulares. E mesmo se fossem cursos bons, não tinha a menor chance de conseguir trabalhar em uma editora por lá. O mercado editorial brasileiro fica no eixo Rio-SP, então eu sabia que de um jeito ou de outro eu ia ter que me mudar. Ninguém aceitou essa ideia de cara, só minha mãe. Mas não tinha jeito, era meu sonho e eu precisava sair de lá pra conseguir. 
Eu passei o ano de cursinho inteiro me preparando psicológicamente pra tudo o que poderia dar errado. Me frustrar com o curso logo no começo e querer voltar correndo pra casa, morar num quartinho pequeno numa casa horrível com gente que eu odiasse, tudo mesmo! Mas acabou que foi muito melhor do que eu poderia jamais imaginar! Eu sei que não é assim em todo lugar, já conversei com isso por aqui na Unicamp e principalmente com as meninas que moram comigo, e todo mundo fala que a qualidade de vida que a gente tem aqui é muito difícil de se achar em qualquer outro lugar. Isso por que em volta da Unicamp tem todo um bairro fofíssimo chamado Cidade Universitária. 95% das pessoas que moram aqui são estudantes da Unicamp, seja graduação ou pós. Tem uma casa mais bonita que a outra e todas são pensionatos ou repúblicas, e tem algumas kitnets também. A lógica é assim: quanto mais perto da Unicamp, mas caro o aluguel das repúblicas/pensionatos. As kits são sempre mais caras, normalmente são só um quartinho com  banheiro e uma pia pra você usar de cozinha e os aluguéis mais baratos são tipo, 700 reais. Os aluguéis dos pensionatos que eu vi são em torno de 600 reais. O mais barato que eu achei foi esse onde eu moro, de 550 reais e é pertíssimo do meu instituto, dá pra ir andando devagar e chegar em 15 minutos. É uma casa lindíssima, quintal enorme, máquina de lavar, 5 geladeiras (uma por quarto), 3 meninas em cada quarto, faxineira 3 vezes por semana, internet e TV a cabo. Normalmente isso que eu descrevi é o que tem em todas as reps/pensionatos e reps (repúblicas) são bem mais baratas, mas o problema é: Tem rep de festa e rep séria, e se você tá acabando de chegar não tem como diferenciar qual é qual, então eu escolhi um pensionato por ser mais 'seguro' nesse aspecto.
As meninas que moram comigo são de todos os curso e a maioria você nem vê muito por que só chegam a noite. Adorei logo de cara as do meu quarto e do quarto da frente. O único problema é privacidade. Você nunca tem privacidade total por aqui. Sabe aqueles dias horríveis que você só quer chegar em casa, comer chocolate e não fazer nada nem falar com ninguém o dia todo? Sem chance. As pessoas sempre vão perguntar o que tá acontecendo e você não pode só pedir pra te deixarem em paz por que aí vão te achar anti-social. Esse é meu maior problema, por que eu sou muito tímida: esse convívio social forçado. Mas isso são só dias extremos mesmo, normalmente eu adoro todo mundo então é de boa. E, claro, se escutam música um pouquinho mais alto já dá pra ouvir e esse tipo de coisa. Também tem muita gente que não lava louça e deixa a cozinha uma bagunça, mas a faxineira lava e tal. São problemas assim, pequenos, coisas que você acostuma. A maioria das meninas volta pra casa nos fins-de-semana, então fica bem mais tranquilo. No primeiro semestre eu nem senti falta de muita coisa, me comunicava com a minha família mais pela internet. Quando meus pais me ligavam eu sempre tinha que segurar o choro, por que acaba que você fica tão concentrada em se adaptar que esquece que tá com saudade sabe? Aí quando se lembra é triste, mas de novo: é questão de se adaptar. 

6-Com a mudança do ensino médio para faculdade existe algumas diferenças. Qual foi a mudança que mais de agradou e qual a você menos gostou?
O que eu mais reparei de diferente na Unicamp são as pessoas. Esqueça preconceito e fofoca por que fulana tá usando tal roupa ou por que ciclano não arrumou o cabelo hoje. Ninguém liga. Ninguém tem preconceito NENHUM. Tem hippies, meninas andando com roupa de ginástica, gente que só usa a camisa da faculdade, gente que se arruma e gente que usa crocs. Ninguém liga a mínima. Muito pouca gente usa maquiagem, todo mundo carrega mochila, não é aquele desfile de moda do ensino médio sabe? As pessoas simplesmente não estão nem aí, só se preocupam em estudar. E isso é a coisa mais linda que eu já vi. Um dia eu fui com uma certa sapatilha na aula e ela machucou meu pé. Na hora de volta eu não conseguia nem ficar em pé nela. Tirei e fui pra casa descalça e NINGUÉM me deu um olhar duas vezes, sabe por que? Por que ninguém viu nada de estranho nisso. A pior mudança é nunca saber o quanto você poder perguntar. Deixa eu explicar: Você acabou de sair do ensino médio e de repente se vê tendo aula com as mentes mais brilhantes do país. Eles passam um trabalho, mas você tá cheia de dúvida, passam uma prova e você nunca sabe com que linguagem tem que escrever. Os professores respeitam o fato de que seus alunos acabaram de sair da escola, mas você tem sempre um medinho de fazer alguma coisa que vai ser "tão ensino médio", infantil, sabe? Do nada o nível é totalmente outro e você sente vergonha de decepcionar, mas a solução aqui é estudar como se não houvesse amanhã e sempre dar o seu melhor.

7-Qual sua dica para quem vai prestar vestibular em breve? Qual foi a estratégia de estudo que você usou e aprovou? 
Como estudei a vida inteira em escola pública, nunca soube estudar em casa. Nunca precisei. Tive que aprender do zero no cursinho. Minha dicar é estudar desde o começo do ano, no mínimo 4horas por dia. Se possível 6. 2 horas pra cada área, biológicas, humanas e exatas. Treine sempre redação. Sempre esteja fazendo resumões das matérias. Tem muitos sites incríveis na internet que também dão bons resumos. Sempre que tiver dúvida, pergunte ao professor. Assista jornal, leia muito, preste atenção nas aulas, estudo nos fins de semana. A cada 40 minutos de estudo ou uma hora, tire 20 minutos pra comer uma fruta, andar pela casa pra se esticar, esfriar a cabeça, de modo geral. Acredite no que eu te falo: pode parecer puxado e difícil, mas isso não é nada. Essa é a fase mais fácil da sua vida, por que você sabe o que tem que estudar, sabe o que tem que saber, é só praticar. Na faculdade eles te dão uma informação geral e você precisa pensar, criar uma opinião, fazer uma análise sua, pensar em comparações boas, tudo num nível muito maior e muito mais puxado. Se você achar que é só estudar esse ano de vestibular e depois melhora, desiste. Daqui pra frete, só piora. Se você conhece alguém que diz o contrário ou essa pessoa estuda numa faculdade ruim ou ela está mentindo, simples assim. Tem fórmula mágica pra passar e ela é bem simples: estude. Nunca pare de estudar. Se você quer um dos cursos mais tensos ou uma faculdade mais tensa ou os dois (tipo medicina, direito, jornalismo, engenharias ou administração em faculdades estaduais - por que as federais agora é só como Enem), estude sempre em dobro. Não desista e se não conseguir, tira mais um ano e faça tudo de novo. Não é vergonha nenhuma correr atrás do seu sonho, ele vai chegar na hora certa.

8-Fale um pouco do seu curso, como é a grade, as possibilidades de mercado, vantagens e desvantagens? 
 Eu costumo explicar meu curso dizendo que é um bacharelado em Literatura. Já falei sobre a grade lá em cima, mas o que falta dizer é: 99% das pessoas que escolhem Estudos Literários querem seguir carreira acadêmica, o que significa: sair da graduação e emendar uma pós, um mestrado, doutorado, pós-doc e por aí vai até começarem a trabalhar como pesquisadores na área ou professores universitários. Eu quero trabalhar com edição, então a boa notícia é que não tenho muita concorrência. A má notícia é que como todo mundo quer carreira acadêmica, todos estão correndo pra tirar notas altas. Nota 7 é nota baixa por aqui. Você tem que ter uma média incrível pra tudo, principalmente o mais desejado que é o intercâmbio. Basicamente, se você gosta de literatura é o curso perfeito. 

9- Conte nos um pouco sobre a sensação desta nova fase, o que mudou em sua vida? A e também nos conte como foi seu trote?
Tudo mudou na minha vida. Me sentia super adulta por ter que cozinhar pra mim mesma. Depois de uns meses isso começou a irritar.  Gasta muito tempo, é muita pressão, aí comecei a comer no restaurante universitário. A comida não é incrível, mas é barata e eu não preciso lavar a louça! Falo com meus pais só de vez em quando, por e-mail. Telefonemas são mais raros. Mas eu sou a exceção, só por que sou de outro estado. Minha colega de quarto que é de SP capital liga pros pais todos os dias. Tem meninas que raramente fazem isso. Vai de pessoa pra pessoa, mas eu acho que quanto menos você liga, mais rápido se adapta ao fato de que agora quando acontece algum problema, é você que tem que resolver, não dá pra mais pra pedir ajuda pra mãe. Realizer milhares de sonhos esse ano. Moro sozinha numa cidade grande (nem ligo se consideram Campinas interior, comparada a VR, é quase NY! kkk), fui pra SP num feriado no começo do ano com uma amiga, passeei pela cidade toda. Em setembro fui no meu primeiro show internacional, o Z festival, assistir o show das minhas bandas favoritas: McFLY, Yellowcard e Hot Chelle Rae. Moro numa cidade que tem Starbucks e vende maquiagem Maybelline, vocês não tem noção da sensação de realização que dá essas coisinhas bobas!
Meu trote foi bem de boa, aqui na Unicamp é proibido então a menina até perguntou se "podia" antes de  me pintar e até depois de eu deixar, ela só pintou meu rosto e braços. Fomos cantando musiquinhas de trote até um cruzamento em uma avenida e fizemos semáforo (pedir dinheiro pros carros que param no sinal). Foi divertido e super tranquilo!

10-O que você poderia dizer para nossos leitores, que você acha importante para quem esta fazendo vestibular e para aqueles que já estão na universidade?
Pra quem está prestando o vestibular a dica é simples: depois que você souber o que quer, só você pode pegar. Ninguém vai te ajudar, agora é com você. VOCÊ tem que sentar a bunda na cadeira e estudar todos os dias e pronto: é só manter a calma e se concentrar na hora da prova que o seu prêmio vai chegar. "Se seu sonho não te assusta, ele não é grande o bastante". Então se prepare para o pior se tiver que se mudar e esteja pronta pra se adaptar ao que precisar. 
E pra quem está na faculdade, ah, não sei. Eu acabei de chegar, eu é que estou precisando de dicas! Haha!

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3 comentários

  1. Eu gosto desta tag aqui no blog. É interessante e faz com que os leitores tenham uma visao sobre a universidade.
    Bjos

    soentrenosmulheres.co.cc

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  2. Meu namorado e de Volta redonda rs Eu sei q os planos dele é casar. Mas adorei atag é bom pra galera saber um pouco como é a vida de universitário

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  3. Nossa, que legal. Curso bem diferente o dela, eu pelo menos não tinha ouvido falar muito nele.

    Adorei as dicas dela, vão ser bem úteis para quem fez ENEM e tá nervoso por causa da hora de escolher um curso na faculdade...XD

    Beeijos querida, tô adoraando essa tag!
    www.blogmymemories.com

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